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sábado, 31 de maio de 2008

REGISTROS ANTIGOS DA TERRA DO ABACAXI






























SE VOCÊ TEM FOTOS ANTIGAS DA NOSSA CIDADE, CONTATE-NOS
VAMOS POSTAR NO BLOG

Raimundo Accioly
accioly_ne@yahoo.com.br
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quarta-feira, 28 de maio de 2008

O MICROFONE DO CALIXTO



O Deputado Luiz Calixto insiste em atacar a Rádio Comunitária Nova Era FM de Tarauacá. O nobre parlamentar está cada dia mais “esquisito”. Parece que está vivendo certa “instabilidade astral”.
A Rádio Comunitária cumpre um papel social, cultural e educativo aqui em Tarauacá que, talvez “o nobreza” e seus assessores não conheçam ou não reconheçam. Mas deixa pra lá! Do jeito que ele anda “nervosinho”, não adianta explicar o nosso trabalho pra ele.
Eu na qualidade de dirigente da emissora e locutor do programa de maior audiência (Terminal Comunitário) ainda não tratei sobre esses ataques com os meus milhares de ouvintes. Mas acho que já está na hora.
Sempre tivemos um relacionamento respeitoso e com o Deputado Calixto. Ele sempre nos ligava quando os jornais publicavam alguma matéria sobre ações de seu mandato para que divulgássemos no meu programa. E eu divulgava. Calixto era deputado filho de Tarauacá. Um de nossos parceiros e NOS DOOU O PRIMEIRO MICROFONE. Todos os dias eu e os demais locutores da Rádio estávamos apostos pra dizer: “temos o apoio cultural do deputado Luiz Calixto”. Foi assim até a sua reeleição. A Rádio só recebia elogios do deputado. Depois o deputado não se interessou mais. A sua reeleição já estava garantida.
Mas o que mudou? O Deputado ou a Rádio?
O deputado era aliado do PT e do Governo Jorge Viana e depois mudou de opinião. Sua decisão teve lá seus motivos. O político mudar do elogio para as críticas é muito comum no Brasil. O governo que era bom, agora já não é mais.
Nós continuamos aqui em Tarauacá cuidando do movimento social, enfrentando os problemas e adversidades frutos de uma administração municipal incompetente e denunciada por atos ilícitos. A nossa rádio continua com a mesma programação.
A Rádio é um espaço popular. Foi através dela que o Vice Prefeito César Melo DENUNCIOU UM ESQUEMA DE ROUBALHEIRA NA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE EM TARAUACÁ e anunciou seu rompimento com o atual prefeito. A Câmara investigou e encaminhou para a justiça.
É através da Nova Era Fm que as Associações Comunitárias organizam, todos os finais de ano, A CAMPANHA NATAL SEM FOME PARA DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS PARA AS FAMÍLIAS CARENTES do município.
Aqui na Rádio e no meu programa as pessoas denunciam o Deas, a Eletroacre, o Ibama, o Imac, a Polícia Militar, o Hospital, a penitenciária e demais órgãos estaduais e federais
É através da Nova Era FM que as comunidades e o povo reclamam e denunciam o abandono pela prefeitura.
Eu leio todas as cartas dos ouvintes e as tenho guardadas em arquivo.
Aqui a gente tem que denunciar os traficantes de drogas, os políticos picaretas e os prefeitos corruptos. A vida aqui não é fácil deputado. Nós não temos a sua imunidade.
Ao contrário do que o Senhor afirmou no seu Blog nós fomos os primeiros a denunciar as péssimas condições da Penitenciária e seu esgoto sendo despejado no igarapé Pirajá.
Foi aqui na Nova Era que denunciamos o absurdo das condições do lixão do seu prefeito.
A rádio é do povo e trabalhamos pelo povo.
Aqui na rádio vale, de fato, a maravilhosa frase: “...de todos, segundo sua capacidade. A todos, segundo suas necessidades”.
Pare de nos atacar.
Se o senhor não gosta do governo, resolva com ele.
Se o senhor não gosta do PC do B, resolva com ele.
Se o Senhor não gosta do PT, resolva com ele.
Se o senhor não gosta do Promotor, resolva com ele.
Se o senhor gosta do Vando e de sua administração, continue defendendo ambos.
Não nos meta nos seus “rolos” e seus “angus”.
Vamos convocar o povo de Tarauacá para uma “reflexão” sobre o papel da Rádio Comunitária Nova Era FM. Esperamos contar com sua presença.

Raimundo Accioly é diretor da Rádio Comunitária Nova Era FM.

A unidade vista de todos os ângulos! (Blog do Edvaldo)


Tarauacá viveu tempos de muita dificuldade na relação política no campo da esquerda.

Mas ali, sempre se construiu belas vitórias quando o campo democrático e popular esteve junto. Foi assim em 90, quando do nascedouro da Frente Popular. Permaneceu assim em 2006 quando do desafio da eleição de Binho Marques.

Tarauacá está reencontrando o caminho da vitória nas batalhas municipais. Reconstruiu com muita sapiência o caminho da unidade popular.

Nesta última segunda-feira, 26 de maio, por mais de duas horas de papo sadio e ideológico, o Governador Binho Marques "abençoou" o novo momento.

Ventos novos soprarão a favor do povo de Tarauacá. E só aguardar.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

De Frei Beto para Marina (blog do Sanderson)

Minha amiga Socorro Dagnoni enviou-me a carta que segue, escrita por Frei Beto a Marina Silva. Apartado que estou de ideologias e correntes políticas, publico-a em defesa da Amazônia.
Querida Marina
Caíste de pé! Tu eras um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão, os agressores do meio ambiente.

CAÍSTE DE pé! Trazes no sangue a efervescente biodiversidade da floresta amazônica. Teu coração desenha-se no formato do Acre e em teus ouvidos ressoa o grito de alerta de Chico Mendes. Corre em tuas veias o curso caudaloso dos rios ora ameaçados por aqueles que ignoram o teu valor e o significado de sustentabilidade.
Na Esplanada dos Ministérios, como ministra do Meio Ambiente, tu eras a Amazônia cabocla, indígena, mulher. Muitas vezes, ao ouvir tua voz clamar no deserto, me perguntei até quando agüentarias. Não te merece um governo que se cerca de latifundiários e cúmplices do massacre de ianomâmis. Não te merecem aqueles que miram impassíveis os densos rolos de fumaça volatilizando a nossa floresta para abrir espaço ao gado, à soja, à cana, ao corte irresponsável de madeiras nobres.
Por que foste excluída do Plano Amazônia Sustentável? A quem beneficiará esse plano, aos ribeirinhos, aos povos indígenas, aos caiçaras, aos seringueiros ou às mineradoras, às hidrelétricas, às madeireiras e às empresas do agronegócio?
Quantas derrotas amargaste no governo? Lutaste ingloriamente para impedir a importação de pneus usados e a transformação do país em lixeira das nações metropolitanas; para evitar a aprovação dos transgênicos; para que se cumprisse a promessa histórica de reforma agrária.
Não te muniram de recursos necessários à execução do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, aprovado pelo governo em 2004. Entre 1990 e 2006, a área de cultivo de soja na Amazônia se expandiu ao ritmo médio de 18% ao ano. O rebanho se multiplicou 11% ao ano. Os satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) detectaram, entre agosto e dezembro de 2007, a derrubada de 3.235 km2 de floresta.
É importante salientar que os satélites não contabilizam queimadas, apenas o corte raso de árvores. Portanto, nem dá para pôr a culpa na prolongada estiagem do segundo semestre de 2007. Como os satélites só captam cerca de 40% da área devastada, o próprio governo estima que 7.000 km2 tenham sido desmatados. Mato Grosso é responsável por 53,7% do estrago; o Pará, por 17,8%; e Rondônia, por 16%. Do total de emissões de carbono do Brasil, 70% resultam de queimadas na Amazônia.
Quem será punido? Tudo indica que ninguém. A bancada ruralista no Congresso conta com cerca de 200 parlamentares, um terço dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. E, em ano de eleições municipais, não há nenhum indício de que os governos federal e estaduais pretendam infligir qualquer punição aos donos das motosserras com poder de abater árvores e eleger ($) candidatos.
Tu eras, Marina, um estorvo àqueles que comemoram, jubilosos, a tua demissão, os agressores do meio ambiente, os mesmos que repudiam a proposta de proibir no Brasil o fabrico de placas de amianto e consideram que "índio atrapalha o progresso".
Defendeste com ousadia nossas florestas, nossos biomas e nossos ecossistemas, incomodando quem não raciocina senão em cifrões e lucros, de costas para os direitos das futuras gerações. Teus passos, Marina, foram sempre guiados pela ponderação e pela fé. Em teu coração jamais encontrou abrigo a sede de poder, o apego a cargos, a bajulação aos poderosos, e tua bolsa não conhece o dinheiro escuso da corrupção.
Retorna à tua cadeira no Senado Federal. Lembra-te ali de teu colega Cícero, de quem estás separada por séculos, porém unida pela coerência ética, a justa indignação e o amor ao bem comum. Cícero se esforçou para que Catilina admitisse seus graves erros: "É tempo, acredita-me, de mudares essas disposições; desiste das chacinas e dos incêndios. Estás apanhado por todos os lados. Todos os teus planos são para nós mais claros que a luz do dia. Em que país do mundo estamos nós, afinal? Que governo é o nosso?"
Faz ressoar ali tudo que calaste como ministra. Não temas, Marina. As gerações futuras haverão de te agradecer e reconhecer o teu inestimável mérito.
CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO, o Frei Betto, 63, frade dominicano, escritor e assessor de movimentos sociais, é autor de, entre outras obras, "A Obra do Artista Uma Visão Holística do Universo". Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).

domingo, 18 de maio de 2008

COMPANHEIRO E CAMARADA




O PCdoB de Tarauacá apresenta ao povo e ás forças políticas do município o nome do Ex-vereador Chagas Batista como pré-candidato a prefeito.

A conferência municipal do partido realizada no final de 2007 (a maior da história do PC do B), aprovou o nome do camarada Chagas Batista como pré-candidato para o debate em torno das eleições.
Os debates estão acontecendo. Batista está visitando todas as áreas do município e o povo que nelas habitam.

Nos dias atuais, um bom político é coisa rara. Batista é uma dessas raridades. O melhor vereador da história do município. Honesto, experimentado na luta, de origem pobre, eterno defensor dos direitos do povo, militante do movimento social desde sua juventude, respeitado por todas as classes sociais, profundo conhecedor dos problemas do município e do povo, bem relacionado com os deputados estaduais, federais e senadores, aliado declarado do governador do Binho e do presidente Lula. Batista é daqueles que podemos afirmar: TEM UMA BOA HISTÓRIA DE VIDA E DE LUTA PRA CONTAR PARA OS SEUS NETOS”.

O PcdoB está debatendo com os outros partidos, porém, não impõe condições. O grande objetivo do partido é a unidade da Frente Popular e das forças oposicionistas do município em torno de um projeto que priorize as mudanças que Tarauacá e seu povo sonham há muito tempo.

Batista, na última eleição para prefeito onde a disputa se deu entre quatro candidatos, perdeu para o atual prefeito por uma diferença minúscula de votos. A frente popular do município estava dividida. Mesmo sendo derrotado nas eleições, ele continuou sua vida com a mesma simplicidade de antes.

A população está atenta ao debate sobre as eleições e aposta na unidade da frente popular. O que se ouve regularmente pelas ruas da cidade é a seguinte frase: “se o PCdoB se unir ao PT é vitória na certa”.

Batista e o PCdoB trabalham não só para essa unidade, mas, também a unidade de todos os partidos e personalidade do município que acreditam na possibilidade mudança para a cidade.

Meia hora a menos por meia hora a mais (Blog do Edvaldo)


Há cem anos a hora de Rio Branco é marcada com 28 minutos de atraso em relação a hora local, aquela referenciada pelo sol de meio-dia. Portanto, quando adiantar seus relógios em 1 hora para ficar com o mesmo horário de Manaus, Porto Velho, Cuiabá e Campo Grande, Rio Branco colocará seus relógios adiantados apenas 31 minutos.

Impressiona que tal fato não tenha surgido na discussão do acertado ajuste de fuso horário do Acre. Ocorre que em 1913, quandocriaram a Hora Legal do Brasil, para se enquadrar em um dos quatro fusos horários adotados, todas as cidades, estados e regiões ajustarama hora. Umas mais, outras menos.

O Primeiro Fuso (menos duas horas de Greenwich) valeu para Fernando de Noronha e valeria para o Nordeste, mas a brava região preferiu a integração com o continente e adotou o Segundo Fuso. Para isso Salvador atrasou seus relógios em 25 minutos e 55 segundos e Recife em 40 minutos e 35 segundos.

O Segundo Fuso (menos três horas de Greenwich) exigiu ajuste de hora até da Capital Federal e o Rio de Janeiro atrasou o relógio em 7 minutos e 31 segundos. São Paulo adiantou 6 minutos e 35 segundos e Porto Alegre24 minutos e 53 segundos.

O Terceiro Fuso (menos quatro horas de Greenwich) exigiu pequeno ajuste de Manaus, que adiantou 4 segundos, o que é muito pouco mas não deixa de ser uma mudança. Cuiabá atrasou 15 minutos e 38 segundos.

O Quarto Fuso (menos cinco horas de Greenwich) ficou exclusivamente para o "Território do Acre e a zona recentemente cedida, pela Bolivia" (sic), diz a Lei do tempo em que o Congresso Nacional nem representação acreana tinha. E para enquadrar o que o Governo Brasileiro e os mapas bolivianos ainda consideravam "Tierras no discubiertas", mandou Empreza (antigo nome de Rio Branco) atrasar 28 minutos e 29 segundos e Cruzeiro do Sul também atrasar 9 minutos e 35 segundos.

Essa é a verdade da hora. Em 1913,Rio Branco atrasou seus relógios em 28 minutos. Agora em 2008, quando adiantar 1 hora, ficará apenas 31 minutos e 32 segundos adiantados em relação ao sol do meio dia.Sendo assim, vamos trocar meia hora de atraso por meia hora de antecedência. E considerando o tempo médio, está provado que é mais saudável para as pessoas e mais vantajoso para a economia manter relógios adiantados ao invés de atrasados, sobretudo em regiões tropicais.

Antes do fim de junho, quando a Lei 11.662 entrar em vigor e o Acre passar do Quarto Fuso para o Terceiro Fuso, com hora igual ao Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, nosso Estado terá diminuido no seu isolamento em tempo real com relação a todo o Brasil.

E o Congresso Nacional terá reparado um erro de 1913, quando não tinha nem representantes do Acre. Bem diferente de hoje, que temos deputados e senadores da qualidadee da coragem de um Tião Viana, capaz de encarar preconceitos, tabus e até caprichos como os que andam ponteando o debate da mudança da hora.

Gilberto Braga de Mello*

sexta-feira, 16 de maio de 2008

AMIN KONTAR – O SANTO TARAUACAENSE.


A História se passou em Tarauacá, na então chamada Vila Seabra.
Por: Sanderson Moura



"Que o Castigo, se assim posso exprimir, fira tanto a alma como corpo" (Michel Foucault)

A História se passou em Tarauacá, na então chamada Vila Seabra.
Por: Sanderson Moura

Na terra que me viu primeiro, uma bárbara injustiça aconteceu.

Se Michel Foucault tivesse conhecimento desta punição, com certeza teria incluído em seu livro Vigiar e Punir, que conta a história da insanidade do homem na apuração dos fatos criminosos.

Foi nos idos de 1916. Um jovem descendente de turco - segundo os mais velhos, um belo jovem - passava em frente à casa do prefeito de Tarauacá, quando viu a casa do Intendente Cunha Vasconcelos pegando fogo. Logo se assustou com gigantes labaredas, e sai correndo, desesperadamente, do local, talvez já profetizando o que poderia acontecer.

Não custou muito para que algumas pessoas, querendo agradar e se aproximar da corte, apontassem o jovem AMIN KONTAR como o autor do incêndio.

O prefeito tratou de punir o suposto criminoso, e em conluio com o delegado perpetraram as mais cruéis torturas contra o jovem, que sabiam ser inocente. Na verdade, o incêndio criminoso tinha como autor um rival político do prefeito, mas a punição de AMIN KONTAR serviria para mostrar a todos o poder daqueles que mandavam.

AMIN KONTAR foi colocado amarrado dentro de uma rede na delegacia, entre duas espadas afiadas, e a cada embalo, uma furada de cada lado em seu corpo e em sua alma de inocente.

Andou por cima de ferro quente, teve as unhas dos pés e das mãos arrancadas com alicate, e seu corpo, já em estado deplorável, foi arrastado e exibido pelas ruas da Vila Seabra, puxado por um cavalo, em um suplício público.

AMIN KONTAR é considerado um santo em Tarauacá, devido a sua morte como inocente. Sua tumba (foto acima)é a mais visitada, a mais prestigiada e a mais respeitada do cemitério da nossa cidade. Milagres acontecem por interferência deste santo popular.

Claro que não é um santo reconhecido pela Igreja Católica, mas não importa, o povo o canonizou. Diariamente pessoas vão ao seu túmulo e depositam flores, óculos, fraudas, camisas, lençóis, todo tipo de objeto, dependendo da natureza do clamor que se faça a ele.

AMIN KONTAR, o santo de Tarauacá, o padroeiro dos inocentes perseguidos.
“Não fui eu não sei quem foi”
Minha ligação com Amin Kontar, o Santo de Tarauacá, é muito forte, de cumplicidade. Tenho-o como símbolo do inocente martirizado.

Vítima de uma injustiça brutal, esse jovem galante, belo e brioso, deixou marcas resplandescentes no povo tarauacaense. No inconsciente coletivo.
Um povo gracioso, valente e bonito. Que odeia a injustiça.

Fiz júris em Tarauacá, e nas conversas infindáveis com meus conterrâneos, percebi um espírito que o impulsiona a julgar com bondade, imparcialidade e razoabilidade.
São padrões quem vem de longe, lá de Amin Kontar, quando o povo chorou ao ver tanta iniqüidade.

Ao ser interrogado por seus malfeitores, firmemente repetia: " não foi eu e não sei quem foi". A cada tortura, a frase imortalizada na aura tarauacaense: "não foi eu e não sei quem foi".

Não confessou o crime aos seus algozes, pois não praticara, não delatou ninguém, suportou a dor de um mártir, na luminosa eloqüencia de seu sofrimento. Seu nome já diz tudo: "o princípe constante, o princípe fiel." Aquele que não abandona, aquele que socorre, aquele que não trai, aquele que cuida, aquele que defende. Fiel como o amigo, constante como o sol que não se apaga.

Seu túmulo é o exemplo disso. É o refugio do injustiçado, do inocente, da pureza maculada, respeitado pelo rico e pelo pobre. É um temido e destemido Santo, porque traz em suas mãos o gládio da justiça, que traz no olhar, a chama da verdade, na razão, a lógica do direito, no coração, o sentimento da bondade, e na palavra, a sentença implacável.

Tenho elo muito forte com Amin Kontar, ele nunca se desligou de nossa cidade, zela por ela, pelo seu povo, querendo vê-lo a cada dia mais justo, a virtude que mais prezava.

A covardia do juiz de Amin Kontar

Dizia o criminalista americano que o maior prazer de uma pessoa acusada é acordar cedo pela manhã e poder afirmar que será julgado por um grande juiz. Justo, corajoso, imparcial, independente, livre dos afagos, compromissos e apalpadelas dos poderosos.

Amin Kontar não teve esta sorte.

Seu assassinato, dentro da cadeia pública do Departamento de Tarauacá, no ano de 1918, com um tiro na nuca e outro nas costelas, se deveu em grande medida a covardia de seu juiz.

Prestes a decidir ordem de hábeas corpus em valor de Amin, que apanhava sem cessar com chicote de couro de anta, o juiz recebeu ameaças do prefeito Cunha Vasconcelos caso soltasse o jovem acusado.

Amedrontado com a fúria do prefeito, que levou a cidade a verdadeiro estado de sítio, o juiz preferiu abandonar a Vila Seabra, abrindo caminho para os torturadores assassinarem Amin Kontar, logo após a sua partida.

Poderia se exigir do juiz conduta diversa da que tomou? Claro, não tenho um centímetro de dúvida. Temos vários exemplos de juízes que enfrentaram a tirania e realizaram a justiça.

"Ainda há juízes em Berlim", foi a frase dita por um camponês ameaçado de esbulho por um senhor feudal. Veja a beleza da confiança na justiça.
Quantos presos inocentes sofrem Brasil afora dentro das delegacias de polícia e nos presídios, por covardia de seus juízes?
Teria muita vergonha se eu tivesse sido filho, neto, ou bisneto, ou mesmo parente do juiz que deixou que assassinassem Amin Kontar, pela covardia com que agiu.

Lembrai-vos de Amin Kontar

Por incrível que pareça, Amin Kontar não leva o nome de nenhuma rua, avenidade, bairro, salão, praça, escola, ou coisa parecida.
• Muitos coronéis de barranco foram prestigiados no decorrer do século, na cidade de Tarauacá-Acre, e em vários municípios de nosso estado. Foram os poderosos que mataram Amin Kontar.

Considerado santo milagreiro, ninguém ainda celebrou a sua vida e a sua morte da maneira devida.

Amin mereceria um busto em todas as delegacias de polícia e em todos os fóruns das comarcas acreanas. Por quê? Porque Amin Kontar é uma lição. A polícia o torturou e o matou, e a Justiça foi omissa, quando poderia ter evitado o homicídio do jovem inocente.

Que o povo tarauacaense comece a exigir de seus dirigentes que homenageiem Amin Kontar, e difunda a sua história como símbolo da resistência a toda forma de arbítrio, de abuso, e de violência.

Por Sanderson Silva de Moura
http://www.sandersonmoura.blogspot.com/

quinta-feira, 15 de maio de 2008

EX - COMUNISTA OU LIXO DO CAPITALISMO?


Lendo o desabafo de uma pessoa que se diz ex-comunista intitulado “duas caras”, postado “Blog do Chiquinho” (assessor do prefeito Wando), tomei a liberdade de comentar um pouquinho sobre o que foi escrito, já que envolve o nome da Rádio Comunitária Nova Era FM, da qual sou o diretor.

Primeiro, a “senhora” que desabafou é uma das nossas ouvintes mais freqüentes. Pelo menos é o que ela me dizia sempre que me encontrava. Ela sempre procurou a Rádio para denunciar o problema do esgoto em frente à sua panificadora no centro da cidade e para elogiar o trabalho do diretor. E não foi só uma vez.

Segundo, é papel da rádio conceder espaço para todos os que a procuram, indiscriminadamente, seja lá qual for a razão.

Terceiro, sou militante do partido citado no desabafo da moça.
Pois bem! Comecei a refletir sobre quais motivos a levaram a atacar os comunistas, a rádio e ao mesmo tempo defender o prefeito Wando.

Será que pessoa que ao chegar a Tarauacá vinda da Europa, se aproximou dos comunistas e passou a participar de campanhas, passeatas e reuniões, resolveu “arriar a bandeira da luta” por que passou a discordar da condução da luta do partido por seus dirigentes, ou derrepente, passou a discordar do seu estatuto?
Será que a ex-comunista descobriu, num lance rápido, que o capitalismo é mesmo a solução para os problemas do nosso povo?

Nenhuma coisa nem outra. Em minha opinião, ela percebeu que o PC do B não é “reduto de oportunistas” e foi procurar “um lugar ao sol”. E não foi difícil encontrar.
Se tem um lugar especial nessa cidade para os oportunistas é ao lado do prefeito Wando. E foi lá que ela encontrou seu refúgio. A forma mais simples de chegar ao poder e dele fazer uso. Isso é comum em quem não tem princípios.

Se tem alguém com DUAS CARAS não somos nós.

Ela afirma que a rádio não obedece a lei. Nenhuma rádio “fora da lei” e tão popular fica no ar durante quarto anos com uma programação igual a nossa.

Estranhamente ela passou a atacar a rádio, assim como outras pessoas, após se “ajeitarem” na prefeitura. Essa é uma prática comum dos que mudam de cara após receberem um cargo na prefeitura. Até o Wando quando era vice-prefeito e “rachou” com o prefeito da época, elogiava bastante a nossa emissora. Depois que virou prefeito a conversa foi outra. Isso é prática de quem, de fato, tem DUAS CARAS.
Aqui fica minha torcida pra que a senhora, COM SUA NOVA CARA, possa viabilizar seus negócios em função do cargo que ganhou e que o seu prefeito neste final de mandato possa resolver os grandes problemas do “POVO POBRE E CHEIO DE FRIEIRAS” devido a falta de saneamento básico nos bairros da cidade, inclusive em frente às panificadoras.

Quanto aos saudosos padres, que eles possam descansar em paz, pois, o rebanho aqui na cidade está sofrendo sob o poder dos gananciosos, oportunistas, forasteiros e suspeitos de corrupção.


Essa matéria é de responsabilidade de Raimundo Accioly e de seu blog.
“Saudações aos que têm coragem....”

50 ANOS DEDICADOS A EDUCAÇÃO


O site Tarauacá.com, não poderia deixar passar uma data tão importante para a
Educação Tarauacaense, nesse ano a Professora Francisca Aragão Leite, completa 50 anos de trabalho como servidora pública, dedicados totalmente à melhoria da educação e consequentemente da qualidade de vida de nossa cidade. Segue uma breve entrevista com essa senhora que tanto colaborou e que continua colaborando para dias melhores.


1- TK.com - Como a Sra. se sente fazendo 50 anos de trabalhos como servidora pública?

Feliz por está ainda contribuindo com o serviço público, por está fazendo o que gosto e acredito.

2- TK.com – Todo os seus 50 anos de trabalho foram dedicados ao Ensino?

Sim, por 35 anos fui docente, lecionei da alfabetização ao ensino de nível médio, fui diretora de 3 escolas. Na década de 70, fui inspetora de Ensino, quando consegui implantar o Ensino Médio. Assumi a Secretaria Municipal de Educação em 1989, na ocasião em parceria com a UFAC, foi implantado o 1º curso de Nível Superior – Pedagogia, do qual fui coordenadora, temos até hoje a parceria com a UFAC. Reassumi esta secretaria em 1997 até 2002, oportunidade em que ampliamos a rede física das escolas municipais, implantou-se o Curso de Formação de Professores, equipamos as escolas, valorizamos o profissional em educação. Trabalhamos com vários programas para reduzir o analfabetismo. Estruturou-se enfim, um sistema municipal de educação para trabalhar os grandes desafios.

3- TK.com - Quais foram às mudanças mais perceptíveis nesses anos todos?

Foram tantas, formação superior dos professores, ampliação da rede de ensino, construção, reforma e equipamentos nas escolas, incluindo claro a melhoria considerável do salário, enfim a valorização do professor contemplando todo o servidor, além de cursos de formação continuada e capacitação dentre outras.


4- TK.com - Em matéria publicada pela jornalista Daniela Tófoli do Jornal Folha de São Paulo, (http://www.oriobranco.com.br/noticia.asp?idNoticia=164) veiculado não muito tempo atrás, aponta como o professor do Acre, com um dos melhores salários do país, ganhando 39% a mais do que um daquele estado, que é um dos mais ricos da Federação, e essa diferença pode aumentar para 60% comparando-se o custo de vida entre os Estados. A senhora não acha, claro não digo todos, que, alguns professores deveriam se dedicar mais?

Temos grandes educadores, dedicados, competentes, responsáveis que faz educação com muito compromisso, como em todas as profissões, temos alguns que deveriam ter escolhido outra. Profissão Magistério é doação, precisamos de conhecimento, habilidade, atitude e dedicação, no novo momento não cabe fazer educação como bico; precisa disponibilidade.

5- TK.com - Muitos criticam o Governo por gastar muito em construção e reforma de escola. A Sra. considera que esse bom salário pago aos professores serve como atenuante às críticas ao governo?

As construções, reformas e ampliação são necessárias para o ritmo de crescimento que vivemos no setor educacional, para adequação dos padrões de qualidade. Quanto às críticas, só as fazem quem não conhece o grande projeto do Governo da Frente Popular, que é de inclusão sócio-econômica. É só observar a mudança na melhoria da qualidade de vida dos profissionais em educação, os indicadores apontam uma considerável melhoria da educação em nosso Estado.

6- TK.com - Houve ou ainda há muita resistência para os mais antigos se adaptarem às novas normas ou regras?

Com relação a este novo momento que vivemos na educação, não existe resistência, existe vontade de mudanças, maior envolvimento, ou seja, mais formação continuada, acompanhamento, planejamento, avaliação e logicamente professores mais bem preparados.

7- TK.com - Estamos vendo em todo o Brasil, um alto índice de violência aluno contra professor, e até mesmo aluno contra aluno. Em Curitiba recentemente um aluno bateu com a porta da sala não mão de uma professora quebrando-lhe quatro dedos. Hoje em dia não se vê mais professores educando dentro de salas de aula. A Sra. acha que eles tem parte de culpa nisso, ou isso é problema de omissão por parte dos pais e do Estado?

Quanto à violência na Escola é uma questão muito grave, retrata toda a situação familiar de hoje, é sem dúvida quebra de valores, como pode estar ligado ao sócio-econômico, mas são vários fatores.

8- TK.com - A Sra. é a favor da educação continuada?

A formação continuada é um dos aspectos altamente positivos, para a melhoria da qualidade do ensino, uma necessidade para todo educador, é de grande relevância na nova lógica de educação.

9- TK.com - A Sra. faria tudo novamente? Valeu a pena?

Com certeza, como valeu! Você poder acompanhar o crescimento das pessoas, do seu município é maravilhoso, e ver a melhoria da qualidade de vida de cada um, sabendo que você deu sua contribuição, agradeço a Deus pela saúde e oportunidade que tenho tido; a minha família pela compreensão da minha ausência, aos colegas de trabalho pela troca de experiência e a todos que acreditaram e continuam acreditando em mim.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Artigo: Raposa Serra do Sol - Moisés Diniz


12/5/2008

A gritaria conservadora contra a demarcação contínua de Raposa Serra do Sol ganhou tons envergonhados de uma nação que ainda não conseguiu sequer garantir saúde aos seus povos originais. Intelectuais, políticos e militares, todos se perfilam ao lado do Brasil e posicionam os povos indígenas e seus defensores do outro lado da fronteira.
Aqueles que defendem a demarcação em ilhas de Raposa Serra do Sol são patriotas e estão defendendo a soberania nacional. Aqueles que defendem a demarcação contínua são apátridas e estão a serviço de alguma potência estrangeira. Nunca ouvi tanta bobagem ao mesmo tempo!
Todos sabem que há outras reservas indígenas em terras contínuas, em fronteiras, como é o caso da Cabeça de Cachorro, no Amazonas. E isso não impede a presença do exército, do Estado e de todas as suas instituições.
Dizer que os militares não podem fiscalizar as fronteiras, por causa das terras indígenas, é atentar contra o raciocínio do povo brasileiro. Um sofisma criminoso de políticos e empresários que vêem as reservas indígenas como barreiras poderosas de contenção do avanço do agro-negócio. Eles só não têm coragem de dizer isso ao povo.
Por isso inventam essa estória esteotipada de ameaça à soberania nacional e utilização dos índios como massa de manobra de interesses estrangeiros. Chegam ao ridículo de comparar Raposa Serra do Sol a Kosovo ou a Santa Cruz na Bolívia.
Aqui a elite brasileira e seus ‘soberanos’ auxiliares se enrolam nos conteúdos de cada caso. Kosovo, ao se desgarrar da Sérvia que era Iugoslávia, cumpre um papel de ‘entreposto’ para a Otan. Já Santa Cruz usa a bandeira da autonomia para golpear os avanços da revolução ecológica e indígena de Evo Morales.
Dizem ainda que queremos transformar o Brasil numa Bolívia, onde os povos indígenas comandam atualmente a política e dão fortes dores de cabeça aos velhos senhores de terra, de escravos índios e de toda má sorte que assolou aquela brava nação.
Aqui não passamos de avos em termos indígenas. Os números inteiros são brancos. Minoria das minorias, a população indígena brasileira amarga a ausência do Estado, da saúde, da educação, da proteção contra os madeireiros, os traficantes de drogas, os búfalos do agro-negócio, os garimpeiros.
Falam que os índios têm muita terra e não se envergonham de defender meia dúzia de arrozeiros. Dizem que raposa Serra do Sol é gigantesca e não informam que ela representa apenas 7% do território de Roraima. Quando criticam que os povos indígenas de Roraima ocupam 43% do território, não têm a honestidade de lembrar que, há cem anos atrás, eles eram donos de 100% de toda a terra de lá.
Falam bobagens acerca da internacionalização da Amazônia, mas não ousam assumir que a Amazônia já está nas mãos do capital estrangeiro, nas mineradoras, nas grandes empresas multinacionais do agro-negócio, nas incontáveis e gigantescas propriedades de estrangeiros e no total descontrole de nossas fronteiras, de nossa flora e de nossa fauna.
Sabem que a verdadeira internacionalização da Amazônia é executada todos os dias pelo agro-negócio. Quem ofende nossos brios amazônicos e nossa soberania são devastadores como Blairo Maggi, Ivo Cassol et caterva, que esfolam, estupram, matam e não deixam nada debaixo de seus tratores.
Expulsam da terra o homem nativo, sufocam os rios, derrubam todas as árvores, concentram a riqueza e fazem o ar ficar podre, espantam os pássaros, amedrontam os índios. Cada árvore que cai é um miserável a mais nas favelas, nos presídios.
Tudo em nome do grande negócio, da riqueza, para que filho de governador possa vender carro contrabandeado e presidente de tribunal de justiça, aqui falo de Rondônia, possa enriquecer, fazendo negócio sujo com as suas sentenças.
Amazônia internacionalizada é Amazônia devastada, sem rios, ‘sojada’, ‘encanada’, ‘boiada’, ‘eucaliptada’, sem reservas indígenas, extrativistas, sem recursos naturais em abundância. Amazônia internacionalizada é essa brutal e avassaladora biopirataria, biocanalhice de culpar os inocentes e dar sol aos culpados.
O que muita gente procura esconder é o verdadeiro conteúdo da existência de reservas indígenas. O que elas escondem dos olhos obscenos do homem branco. Os povos indígenas vivem em comunidade e a sua terra é coletiva, de propriedade do Estado. Isso dá arrepios aos donos do capital e da vida.
É que um modelo adverso, construído na ancestralidade, na resistência contra a morte e no verso, está sendo erguido sob o nariz fidalgo de uma elite que não suporta conviver com povos indígenas, quilombolas, extrativistas, favelados.
O que eles não dizem é que as terras indígenas são as únicas propriedades territoriais do Brasil que não estão sob o controle do mercado fundiário. O deus mercado não conseguiu erguer nenhum templo nas aldeias indígenas.
Assim, a opinião de um membro do STF, ao defender a demarcação em ilhas, fica com jeito de parecer jurídico de auditor agrário, como se fosse um demarcador de terras e não ministro do Supremo Tribunal Federal.

* O deputado Moisés Diniz (PCdoB) é líder do governo na Assembléia Legislativa do Acre.

A última jornada


As transformações na vida das pessoas que receberam e os que vão ter o asfalto na BR 364

Na leveza da parábola das comunidades de Feijó e Tarauacá, o verão só chega quando a embaúba entorta a fruta. Enquanto isso não acontece, o trânsito na BR 364, no trecho entre Sena Madureira e Feijó, estará complicado neste período de intensas chuvas. Mas é por pouco tempo. Em 2007 o Governo realizou a última cerimônia de reabertura da rodovia porque a partir deste ano haverá frente de obras em todo o trecho desde Sena a Feijó.

A partir do próximo ano o processo de reabertura será em menor proporção. E em 2010, o trafego será permanente.
A Agência de Notícias do Acre está percorrendo a estrada desde Cruzeiro do Sul para registrar o que mudou na vida das pessoas com a chegada do asfalto e o que mudará para os moradores que aguardam o asfaltamento da rodovia. Para muitos, um sinal de redenção: Cenas como a do homem da fotografia, um colono que levava em sua bicicleta a recém-comprada roçadeira, trafegando pelo asfaltado que chegou no ano passado é um das imagens que agora serão também mais comuns no trecho entre Sena e Feijó, onde atualmente só se pode percorrer, no inverno, a pé ou em lombo de animal.

As obras estão a todo vapor e em breve o trânsito estará completamente liberado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (Deracre). O trecho até Manoel Urbano está pronto.

O Deracre começa em breve a construir pontes sobre os rios Envira e Tarauacá, encerrando o tempo de travessia através de balsas. A expectativa é que até 2010 Rio Branco e Cruzeiro do Sul estejam ligados por asfalto. Os tempos difíceis, o isolamento, o sofrimento estão em sua última jornada na BR 364.

domingo, 11 de maio de 2008

ACADÊMICOS DE TARAUACÁ ESTÃO INDIGNADOS



Gostaria de parabenizar a equipe do site “tarauaca.com” pela bela entrevista feita junto ao promotor público de Tarauacá Dr. Marco Aurélio e, acima de tudo, efetuar préstimos de consideração e apoio há esse operador do direito.
O nobre promotor está sendo criticado por apurar possíveis irregularidades administrativas no âmbito da administração municipal.
Irregularidades estas que se comprovadas, por mais simples que sejam não deixam nosso município progredir. As políticas sociais da referida administração pública são um fracasso. Para efeito de exemplo basta a Rua Benjamim Constant praticamente no “centro” da cidade, onde se configura o descaso para algumas das famílias que ali vivem; o econômico é uma brincadeira, não há incentivos para a produção agrícola, a juventude não tem perspectivas de emprego, os comerciantes e a população em geral vivem isolados do resto do mundo, sendo extorquidas pelos abusivos preços das passagens nos incertos táxis aéreos pela falta de um aeroporto decente.
O aspecto político chega a ser cômico, os representantes do povo não assumem dignamente essa divina missão. Muitos apóiam as falhas ou no mínimo se fazem indiferentes às irregularidades.
E a juventude, sofre como bode expiatório de falsas promessas de quem está no poder. Um município que parece ter em tudo linhas tortas; irregularidades como as investigadas pelo promotor alastram o descaso, mas por toda cidade, como percebi em menos de vinte quatro horas, têm alguns “bem vividos”, uma pequena parcela social que está “se dando bem”; um grupo que tenta e, pelo que me pareceu, até consegue, trabalhar a mentalidade das pessoas “sem estudo” levando-as a pensarem “está tudo bem” e, desta forma, querem seguir com as possíveis irregularidades, estás notórias aos olhos mais atentos e, o ente fiscalizador que faz seu trabalho é criticado.
Há ainda, os ditos esclarecidos da cidade, que nada fazem para mudar a situação. Penso que é preciso rever o conceito de “esclarecidos”.
Há alguns dias atrás estive em Tarauacá a trabalho, pois, alguém tem que trabalhar. Recado esse que precisa se lembrado e levado a efeito pelos governantes demagogos de nossa cidade, mas trabalhar, não a mente fraca dos que se deixam envolver, para assim justificarem no pleito de suas ignorâncias as possíveis improbidades administrativas desta unidade federativa. Trabalhar, digo eu, em prol do povo e para o povo. Em momento efêmero em Tarauacá, foi possível para mim, um estudante, perceber como claudicam nossos governantes municipais, a cidade estava em festas porque um grupo musical cantaria por preço de ouro no aniversário da nossa cidade; enquanto isso, como citou o Dr. Marco Aurélio em sua entrevista, nos postos de saúde não tem remédio, os esgotos estão a céu aberto proliferando doenças. O lixão já faz parte da BR. (Mesmo estando ciente que o ônus da prova cabe a quem alega se não for verídico o prefeito que retruque e prove). Ainda assim, está tudo bem, dizem os cabos eleitorais que já trabalham para continuarem como “sanguessugas” no próximo pleito. A respeito do dito, como já dizia o sociólogo Max Weber “os partidos políticos vivem sob o signo do poder, sendo sua ação orientada no sentido de aquisição ou manutenção de um poder social”. Voltando ao contexto das irregularidades que geram críticas; essas aparecem desde o pagamento injusto de alguns funcionários públicos até o exagerado pagamento salarial há prestadores de serviços temporários em "cargos comissionados" (os famosos DAS). Estes que às vezes mal completaram 18 anos e já recebem salários absurdos por seu labor, salários que se configuram três vezes mais que o de um membro efetivo da citada prefeitura, este que já exerce o cargo público a mais de vinte anos ganhando recentemente 475,00 reais. É no mínimo injusto. São varias as falhas. “Joga no meu time que eu te dou emprego”, muitas vezes (e infelizmente na maioria delas) é assim que funciona, parece que tudo na política é jogo de interesses.
A situação em que se encontra a cidade de Tarauacá é lastimável. Já fomos a terceira melhor cidade do Acre. Já fomos destaque em eventos nacionais. Hoje, se ainda se destacam algumas coisas, são de envergonhar “malandragem em Tarauacá” essas são primeira pagina de jornais, parece que é só isso que acontece no âmbito administrativo público da amada TK, ou pelo menos são coisas desse tipo que saem constantemente nos jornais da Capital. A população merece festejar 95 anos dessa bela cidade, mas a que custo? Fica como sugestão ao Sr. Prefeito que no tempo que ainda lhe resta de mandato, ele possa investir na educação, na saúde, na habitação, no saneamento básico, na geração de emprego e renda para os mais pobres. E claro, se não há nada de ilícito nas contas da administração então, que elas sejam expostas á população e deixe que o povo decida onde que as verbas devem ser empregadas. Daqui continuamos sonhando que um dia nossa população será novamente amada pelos que a governam e que devolver-lhes a dignidade de serem taraucaenses será a sua principal meta.
Por: FRANCISCO DOUGLAS (Acadêmico de História e Direito (UFAC)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

LEIA E ENTENDA O MUNDO DA EXPLORAÇÃO

Classe social - Uma classe social é um grupo de pessoas que tem status social similar segundo critérios diversos, especialmente o econômico. Diferencia-se da casta social na medida em que ao membro de uma dada casta, normalmente é impossível mudar de status.
Segundo a ótica marxista, em praticamente toda sociedade, seja ela pré-capitalista ou caracterizada por um capitalismo desenvolvido, existe a classe dominante, que controla direta ou indiretamente o estado, e as classes dominadas por ela, reproduzida inexoravelmente por uma estrutura social implantada pela classe dominante. Segundo a mesma visão de mundo, a história da humanidade é a sucessão das lutas de classes, de forma que sempre que uma classe dominada passa a assumir o papel de classe dominante, surge em seu lugar uma nova classe dominada, e aquela impõe a sua estrutura social mais adequada para a perpetuação da exploração.
Na Idade Média, por exemplo, a classe dominante era formada pelos senhores feudais, donos das terras através da alicação de compulsão e coerção, e a classe dominada era formada pelos camponeses. Uma classe à parte era a classe dos guerreiros que era composta pelos camponeses e alguns eram senhores feudais, que podia passar para uma classe dominante caso recebesse terras como prêmio de suas conquistas.
Segundo Karl Marx, as classes sociais estão associadas à divisão do trabalho. São grupos coletivistas que desempenham o mesmo papel na divisão do trabalho num determinado modo de produção (asiático, feudal, mercantil, industrial, etc).
Capitalismo moderno - A partir da Idade contemporânea, com o desenvolvimento do sistema capitalista industrial (e mesmo do pós-industrial), normalmente existe a noção de que as classes sociais, em diversos países, podem ser dividas em 3 niveis diferentes dentro dos quais há subniveis. Actualmente, a estratificação das classes sociais segue a convenção baixa, média e alta, sendo que os primeiros designam o estrato da população com pouca capacidade financeira, tipicamente com dificuldades económicas, e o último com grande margem financeira; a classe média é, portanto, o estrato considerado mais comum e mais numeroso que, embora não sofra de dificuldades, não vive propriamente com grande margem financeira, nota-se que nos países de terceiro mundo a classe média é uma minoria e a classe baixa é a maioria da população. Desta interpretação é possível encontrar outras classes.
Classe Alta-Alta: indivíduos que se destacam socio-economicamente, normalmente donos de grandes empresas e oriundos de famílias tradicionalmente ricas ("elite").
Classe Alta: indivíduos altamente bem pagos ("novos ricos").

Classe Média-Alta: indivíduos com salários médio-altos (médicos, advogados, executivos).
Classe Média: Pessoas ganhando salários razoáveis ou medianos, porém inferioes aos dos membros da sub-classe supra-mencionada (professores, arquitetos, gerentes de lojas).
Classe Média-Baixa: pessoas que recebem salários mais baixos mas não são trabalhadores braçais. (donos de pequenas lojas, policiais, secretárias)
Classe Baixa: trabalhadores braçais (serventes, operários, campesinos), tambem conhecidos como a "classe trabalhadora".
Miseráveis: pessoas desempregadas ou não que vivem em um estado constante e desesperador de pobreza.




Luta de classes - Segundo Karl Marx e vários outros pensadores como Ricardo e Proudhon, a Luta de Classes é a força motriz por trás das grandes revoluções na história. Ela teria começado com a criação da propriedade privada dos meios de produção. A partir daí, a sociedade passou a ser dividida entre proprietários (burguesia) e trabalhadores (proletariado),ou seja, possuidores dos meios de produção e possuidores unicamente de sua força de trabalho. Na sociedade capitalista a burguesia se apodera da mercadoria produzida pela classe do proletariado, e ao produtor dessa mercadoria sobra apenas um baixo salário que é pago de acordo apenas com o valor necessário para a sobrevivencia desse. Os trabalhadores são forçados a vender seu trabalho por uma fração mísera do real valor da mercadoria que produzem, enquanto os proprietários se apoderam do restante. Outra característica importante do capitalismo é o conceito criado por Karl Marx da mais-valia, a mais-valia se consciste basicamente nessa porcentagem a mais que os capitalistas retiram da classe do proletariado, essa porcentagem pode ser atingida, por exemplo, aumentando o tempo de trabalho dos operários e mantendo o salário. A luta de classes, segundo Karl Marx, só acabará com a implantação do regime comunista, onde esse conflito não terá como existir pois não existirão mais classes sociais. Até os tempos atuais o comunismo ainda não foi posto em prática em nenhuma região do mundo, apesar do socialismo, que seria como uma fase de transição do capitalismo para o comunismo, já ter reinado em diversos países. A proposta mais radical é abolição do Estado e sua reorganização descentralizada em moldes federativos anarquistas
Apesar de toda a história da humanidade, segundo Karl Marx, ter sido a história da luta de classes, a sociedade original não possuía divisões sociais. Isso se deveria ao fato de que, nesse estágio das forças produtivas socias, não havia praticamente excedente. Todos os membros da sociedade eram por isso obrigados a participar do processo produtivo, de modo que era impossível a formação de uma hierarquia que diferenciasse as pessoas dessa sociedade. Uma das primeiras formas de hierarquização dos membros foi a divisão homem/mulher, quando os homens começaram a explorar as mulheres. A luta de classes se origina, no entanto, no momento em que a sociedade passa a ser composta de diferentes castas.
Essa divisão dos membros em classes foi possibilitada quando as forças produtivas atingiram um certo nível de produtividade, onde o excedente já promovia maior seguranca à sociedade em relação às suas necessidades. Mas, apesar de garantir uma proteção em tempos escassos, por exemplo, o excedente abriu a possibilidade do jogo político. O controle sobre o excedente se desenvolve em conjunto com a formação de uma minoria que ganha assim poder sobre todos outros membros da sociedade. Dessa maneira origina-se uma diferenciação quanto à tarefa social de cada membro. Entre as diversas classes que podem se formar, estao sempre presente as classes dos senhores (não-trabalhadores) e a classe trabalhadora.
Com o desenvolvimento das forças produtivas, a devida classe dominante (diferente para cada período histórico) é posta em questão. As classes de baixo reconhecem que a regência da classe exploradora torna-se desnecessária para a continuação do desenvolvimento técnico, enquanto esta tenta, por meios oficiais, manter seu poder. Nessas épocas de desacordo entre as relações socias de produção vigentes e o patamar técnico dos meios de producao, a probabilidade de uma revolução tende a ser maior. A antiga classe explorada é, assim, deposta, e uma nova entra em seu lugar. Dessa maneira, a história da sociedade humana é a história de classes dominantes, uma após a outra. O Capitalismo preveligia uma sociedade dividida em classes, e simplifica a luta de classes ao separar toda a sociedade em apenas duas classes; a dominadora e a dominada.

Mais-valiaMais-valia é o nome dado por Karl Marx à diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, que seria a base da exploração no sistema capitalista.
A Mais-Valia em Marx e na Escola Clássica Inglesa
Ao analisar a gênese do lucro capitalista, Marx toma como ponto de partida as categorias da Escola Clássica Inglesa: já Adam Smith havia observado que o trabalho incorporado em uma mercadoria (o seu custo de produção em termos de salários), era inferior ao "trabalho comandado" (aquilo que a mercadoria podia, uma vez vendida, "comprar" em termos de horas de trabalho). Para Smith, esta discrepância é que explicava a existência do lucro, mas não suas causas. Smith considerava que o lucro estava associado à propriedade privada do Capital, na medida em que a renda de um empresário dependia menos do seu trabalho como gerente do que do volume dos seus investimentos, mas tal não explicava a existência do lucro como um overhead sobre os custos de produção em termos de salários.
Para David Ricardo tal se dava devido ao fato de o salário gravitar sempre em torno dos seus níveis "naturais" - isto é, de um mínimo de subsistência fisiológica, Caso, em função de uma escassez de mão-de-obra, o salário subisse além do nível natural, os operários se reproduziriam de tal forma que a oferta excessiva de trabalho deprimiria de novo os salários ao mesmo nível natural. Para Ricardo, o lucro acabava sendo simplesmente um "resíduo" - aquilo que sobrava como renda do empresário depois de pagos os salários de subsistência e as rendas da terra; como a teoria da renda da terra ricardiana propunha que a ocupação de terras sempre piores inflava os custos de reprodução da mão de obra, haveria uma tendência aos lucros serem comprimidos no longo prazo.
Marx adotou tal teoria ricardiana nas suas obras de juventude, como o Manifesto Comunista; mais tarde, no entanto, verificou que os valores dos salários, variando de uma sociedade a outra, não se reduziam ao elemento biológico, mas pelo contrário incorporavam elementos sociais e culturais ("como poderia um operário francês subsistir sem seu vinho?" diz ele em O Capital). Ele também reparou que o lucro dependia, pelo menos em parte, da produtividade física do capital, o que fêz com que buscasse sair das constatações simples de seus predecessores para elaborar uma teoria mais aprofundada das causas efetivamente sociais do lucro capitalista.
É importante lembrar que, segundo o Marx maduro, o valor do trabalho não é uma grandeza concreta: o operário não vende sua "força" (caso contrário um operário fisiculturista deveria ser mais bem remunerado que um outro de físico normal que realizasse o mesmo trabalho) ou sua "habilidade". Pelo contrário, o progresso da mecanização garante um padrão uniforme de produtividade física dentro de cada ramo de atividade e para cada tipo de ocupação, igualando, até certo ponto, a habilidosos e obtusos. Como coloca Marx, se o valor em trabalho (e, portanto, o valor do salário como parcela do valor da mercadoria)correspondesse ao tempo concreto gasto na produção de cada mercadoria individual, seriam os trabalhadores menos habilidosos que produziriam as mercadorias mais valiosas, pois demorariam mais tempo para produzí-las.
O valor do trabalho é abstrato, no sentido em que o valor padrão de um salário para uma determinada atividade (e para uma determinada duração da jornada de trabalho) é dado pelo Mercado, isto é, pela demanda agregada dos capitalistas. Para Marx, em princípio o salário capitalista é "justo": o capitalista não necessita espoliar seus operários do seu salário de mercado para lucrar; o lucro tem uma causa concreta: ele tem por causa a propriedade privada do Capital; mas supor que ele seja uma remuneração automática deste mesmo capital, uma vez investido, é, para Marx, "fetichismo", pois supõe que uma coisa possa gerar sua remuneração, que o capital produza lucros e/ou juros como uma laranjeira produz laranjas. Esta origem do lucro não está, na sociedade capitalista, numa espoliação direta, como a apropriação da pessoa do trabalhador escravo, ou a cobrança de uma renda feudal, mas na medida em que o próprio salário "justo" tem seu valor estabelecido de modo a remunerar os trabalhadores por um valor menor do que o valor total das mercadorias por eles produzidas durante a jornada de trabalho contratada; é o que Marx chama de "jornadas de trabalho simultâneas" (uma paga, a outra não).
É certo, como dirá mais tarde a economia neoclássica, que a mais-valia necessitaria ser realizada pela venda lucrativa da mercadoria, e que esta venda dependerá das flutuações da demanda, e que nem sempre o excedente potencial resultante da exploração irá realizar-se aos níveis esperados; como dirá o economista inglês Alfred Marshall o custo de produção e a demanda são duas lâminas de uma mesma "tesoura" entre as quais é determinado o preço da mercadoria. A teoria de Marx, no entanto, preocupa-se menos com o lucro capitalista enquanto tal e mais com a sua gênese social; ele se importa menos com o modo como o lucro é realizado e dividido do que com a maneira como é gerado. O lucro capitalista, para Marx, não é apenas um simples excedente; ele é o excedente como mediado por uma relação social historicamente específica.
Mais Valia absoluta e relativa
Marx chama a atenção para o fato de que os capitalistas, uma vez pago o salário de mercado pelo uso da força de trabalho, podem lançar mão de duas estratégias para ampliar sua taxa de lucro: estender a duração da jornada de trabalho mantendo o salário constante - o que ele chama de mais-valia absoluta; ou ampliar a produtividade física do trabalho pela via da mecanização - o que ele chama de mais-valia relativa. Em fazendo esta distinção, Marx rompe com a idéia ricardiana do lucro como "resíduo" e percebe a possibilidade de os capitalistas ampliarem autonomamente suas taxas de lucro sem dependerem dos custos de simples reprodução física da mão-de-obra.
A Crítica da Escola Austríaca a Marx
O economista austríaco Eugen von Böhm-Bawerk refutou a doutrina da Mais-valia no final do século XIX. Segundo Böhm-Bawerk o valor da produção que não é destinado ao pagamento dos salários existe como consequência da manifestação das preferências temporais dos capitalistas em relação ao processo intertemporal de produção.
Os produtos produzidos pelos trabalhadores só serão bens de consumo em certa quantidade de tempo. E como os salários são pagos antes do término do processo intertemporal de produção, muito do que é considerado lucro pela definição marxista deriva dos juros sobre os bens de consumo futuros (bens de capital). Isso ocorre porque, segundo Boehm-Bawerk, os juros existem devido aos seres humanos sempre preferirem ter um bem no presente do que ter esse mesmo bem no futuro. Os trabalhadores, que recebem os salários antes de que os bens de capital se transformem em bens de consumo, tem sua renda descontada por esse fator.
Outros economistas austríacos desenvolveram, já no início do século XX, a teoria de que os lucros e prejuízos liquídos (resultado do desconto dos juros e os fatores de risco sobre o lucro bruto), são resultado do ajuste incessante dos empresários às mudanças constantes no mercado. E que os lucros liquídos, somente são, em geral, maiores que os prejuízos quando o sistema econômico está em expansão e acumulando bens de capital. Isso ocorre porque um aumento da produção gera um aumento dos faturamentos que geram os lucros. Como os lucros aumentam (e também a produtividade marginal da mão de obra) a demanda por mão de obra aumenta e assim os salários sobem.
Diferentemente dos clássicos, para os austriacos os lucros liquídos sempre tendem a desaparecer ao longo do tempo porque os preços dos fatores de produção sobem com a aumento da demanda pelos mesmos que é justamente causada pelos lucros.
Marxismo e Economia Neoclássica; o estatuto conceitual do Juro
Segundo os marxistas existe um problema, no entanto, nas críticas neoclássicas, que é o fato de, nesta escola, o juro ser tido como a remuneração natural do Capital monetário, a qual é gerada pelo seu uso produtivo; daí, na crítica de Böhm Baverck, os trabalhadores, ao abrirem mão de pouparem seu salário, consentirem implicitamente no lucro capitalista. Para Marx, esta noção de que o juro seja uma remuneração "natural" do Capital é uma característica daquilo que ele chama, nas suas Teorias de Mais-Valia, "economia vulgar": o juro não é uma categoria natural, e sim social; para Marx, os trabalhadores não podem "escolher" gastar seus salários "mais tarde" (o que já era proposto, com o nome de "teoria da abstinência" por um pós-ricardiano, Nassau Senior, que Marx critica no O Capital), pela simples razão de que necessitam deles para sobreviver materialmente; o lucro, por sua vez, depende de processos de produção concretos para existir: se eu coloco um capital de longo prazo para render juros com um prazo de carência de 15 anos, e neste interim o negócio em que investi falir, ficarei tão inadimplente quanto ficaria se fosse menos "abstinente".
Para Marx, o juro é apenas e tão sómente uma forma pela qual a Mais Valia Social Geral- a soma das várias mais-valias particulares - circula ao nível microeconômico e é redistribuída entre os vários capitalistas - fundamentalmente, daqueles que realizam a produção industrial para os portadores do Capital Financeiro. Ao analisar o Juro como uma variável autônoma, Marx de certa forma antecipa a teoria monetária de Keynes, que considerava que a igualdade entre poupança e investimento, longe de representar um equilíbrio entre oferta e procura de capitais, seria uma simples identidade contábil.
Existe aí, portanto,entre o Marxismo e a Economia Neoclássica, um gap conceitual não facilmente resolvível - especialmente quando se trata de autores da Escola Austríaca, que, seguindo os princípios estritos do fundadores da escola neoclássica, o inglês Stanley Jevons e o alemão naturalizado austriaco Menger, tentam explicar todos os fenômenos econômicos com base na idéia de utilidade marginal e não dão nenhum papel a quantidade de mão de obra na determinação do valor, contrariamente à Escola neoclássica inglesa de Alfred Marshall , que, como já dito, busca uma síntese entre a Economia Clássica Inglesa (ou Escola Ricardiana), e o Neoclassicismo Jevoniano.
Marx, Karl: O Capital, Crítica da Economia Política. Livro I, várias edições (Civilização Brasileira/Bertrand Brasil e Abril Cultural); Teorias de Mais-Valia, ed. Civilização Brasileira/Bertrand Brasil.
Rosdolsky, Roman: Gênese e Estrutura do Capital de Marx. Editora Contraponto/UERJ.
Crítica original de Böhm-Baverck a Marx
Retirado de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Mais-valia"
Categorias: Marxismo | História do pensamento econômico

ELE É O MACHÃO DA PODEROSA CONCEIÇÃO