Vereadora Veinha do Valmar relembra trajetória de vida, perdas pessoais, atuação social e defende união por grandes causas de Tarauacá no Podcast Encontro Marcado

 


Por Raimundo Accioly – Blog do Accioly

O segundo bloco do Podcast Encontro Marcado desta quinta-feira (21) foi marcado por emoção, reflexões e relatos pessoais da vereadora Neirimar Lima, popularmente conhecida como Veinha do Valmar.

Em uma conversa franca com o professor e comunicador Raimundo Accioly, a parlamentar falou sobre sua infância, a dedicação à mãe enferma durante quase duas décadas, a perda trágica do esposo Wando, a entrada inesperada na política, sua atuação parlamentar e os desafios que, segundo ela, ainda impedem o desenvolvimento de Tarauacá.

Uma história construída na família e no trabalho

Logo no início da entrevista, Veinha apresentou suas origens.

Filha de Neusa, conhecida como Dona Tinha, e de Valmar, figura bastante conhecida em Tarauacá, ela relembrou a convivência familiar, os irmãos, as filhas e a forte ligação que sempre manteve com a família.

A vereadora destacou que sua trajetória foi construída longe dos privilégios e marcada por muito trabalho, estudo e responsabilidade desde cedo.

Dezessete anos dedicados aos cuidados da mãe

Um dos momentos mais emocionantes da entrevista ocorreu quando Veinha falou sobre os 17 anos em que sua mãe permaneceu acamada.

Ela relatou que toda a família se uniu para garantir os cuidados necessários, sem jamais abandonar a matriarca.

Segundo a vereadora, apesar das dificuldades, nenhum dos filhos cogitou colocá-la em uma instituição de acolhimento.

"Ela nos deu amor durante toda a vida. Nós apenas devolvemos esse amor até o último dia", resumiu emocionada.

Educação e formação profissional

Veinha contou que estudou nas escolas Plácido de Castro, João Ribeiro e Djalma Batista.

Posteriormente concluiu o curso de Pedagogia pela instituição que funcionava em Tarauacá, tornando-se professora e pedagoga.

Ela lembrou com bom humor dos tempos de estudante e afirmou que sempre foi uma pessoa ativa e participativa.

Casamento, maternidade e a reconstrução após a dor

A parlamentar revelou que se casou pela primeira vez aos 15 anos, relacionamento do qual nasceu sua filha mais velha.

Posteriormente casou-se com Wando, com quem viveu cerca de dez anos até a tragédia que marcou sua vida.

Questionada sobre como conseguiu reconstruir a própria trajetória após a perda, Veinha afirmou que a fé foi fundamental.

Segundo ela, a vida precisava continuar para evitar que a dor se transformasse em depressão e desesperança.

"A morte separou. A partir dali era preciso seguir em frente", afirmou.

A entrada inesperada na política

Ao contrário do que muitos imaginam, Veinha contou que jamais planejou ser candidata.

Segundo seu relato, o convite surgiu durante uma visita de lideranças políticas à sua residência.

Inicialmente recusou a proposta, mas acabou sendo convencida após insistência dos amigos e familiares.

Ela revelou, inclusive, que quando retornou para casa sua ficha de filiação partidária já estava preenchida, faltando apenas sua assinatura.

Desde então permanece no mesmo partido político e construiu uma trajetória que já soma três mandatos consecutivos.

O trabalho social veio antes da política

Um ponto destacado por Raimundo Accioly foi o trabalho comunitário que Veinha realizava muito antes de ocupar um cargo público.

A vereadora afirmou que sempre procurou ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segundo ela, a política apenas ampliou uma missão que já fazia parte de sua vida.

"Mesmo sem mandato eu ajudava. E continuo ajudando até hoje", declarou.

A experiência do primeiro mandato

Veinha lembrou com carinho do primeiro mandato, exercido durante a gestão da prefeita Marilete Vitorino.

Ela destacou a convivência próxima entre vereadores de diferentes partidos e disse sentir saudades daquele período.

Segundo a parlamentar, havia maior convivência pessoal entre os colegas, com ações coletivas voltadas à população, especialmente durante enchentes e momentos de crise social.

Para ela, esse espírito de união diminuiu ao longo dos anos.

O drama que marcou sua vida

O momento mais forte da entrevista foi o relato sobre o assassinato de seu esposo Wander.

Visivelmente emocionada, Veinha contou os últimos momentos ao lado do marido após ele sofrer o ataque.

Ela descreveu a tentativa desesperada de buscar socorro, o transporte em canoa durante a noite e a luta para mantê-lo vivo.

Sem entrar em detalhes gráficos, a vereadora relatou que viveu uma das experiências mais dolorosas de sua vida e que somente a fé em Deus permitiu que ela encontrasse forças para seguir adiante.

Avaliação da gestão da ex-prefeita Maria Lucinéia

Ao comentar os quatro anos da gestão da ex-prefeita Maria Lucinéia, Veinha fez uma avaliação positiva.

Segundo ela, a administração enfrentou dificuldades, inclusive preconceitos por ser liderada por uma mulher, mas promoveu avanços importantes principalmente na infraestrutura urbana.

A vereadora também afirmou acreditar que Tarauacá perdeu representatividade política após a derrota eleitoral do ex-deputado federal Jesus Sérgio, destacando os recursos destinados ao município durante seu mandato parlamentar.

O principal erro da gestão Neia

Apesar dos elogios, Veinha apontou aquilo que considera o principal erro da ex-prefeita.

Segundo ela, houve demora excessiva para substituir secretários que já apresentavam desgaste perante a população.

Na avaliação da parlamentar, quando uma equipe não responde às expectativas, mudanças precisam ser feitas rapidamente para evitar prejuízos à gestão.

Uma oposição mais ativa

Hoje exercendo mandato em posição de oposição à gestão municipal, Veinha afirmou que sua postura não mudou.

Segundo ela, sempre buscou resolver os problemas diretamente com os responsáveis antes de recorrer a denúncias públicas.

A parlamentar garantiu que apenas leva questões aos órgãos de controle ou à imprensa depois de esgotar as tentativas de solução administrativa.

"Primeiro procuro o secretário. Se não resolver, vou denunciar porque o povo cobra da gente", afirmou.

Sonho de ser prefeita?

Questionada sobre uma possível candidatura à Prefeitura de Tarauacá no futuro, Veinha respondeu que nunca planejou esse caminho.

No entanto, também não descartou completamente a possibilidade.

Segundo ela, qualquer decisão dependeria da vontade popular, de pesquisas e de uma construção política coletiva.

"Não posso dizer nem sim nem não", resumiu.

Eleição da Câmara já movimenta bastidores

A vereadora confirmou que participa das articulações para a próxima eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal.

Sem revelar nomes, afirmou que já existe um grupo organizado e um projeto em construção.

Ela fez questão de destacar que honra compromissos políticos e que não costuma voltar atrás em sua palavra.

Apoio à candidatura de Mailza Assis

Ao analisar o cenário eleitoral de 2026, Veinha declarou simpatia pela pré-candidatura da vice-governadora Mailza Assis ao Governo do Acre.

A parlamentar destacou a importância da participação feminina na política e afirmou que Mailza terá a oportunidade de demonstrar sua própria capacidade de gestão.

Segundo ela, mulheres ainda enfrentam preconceitos maiores que os homens na vida pública.

Falta união para defender grandes causas de Tarauacá

Nos momentos finais da entrevista, Veinha fez uma reflexão sobre temas que considera prioritários para o município.

Ela citou a necessidade de união política em torno de pautas como:

  • Implantação do IML;
  • Ampliação dos serviços de hemodiálise;
  • Fortalecimento do Hospital de Tarauacá;
  • Instalação de um campus universitário;
  • Melhorias nas escolas da zona rural;
  • Fortalecimento da infraestrutura regional.

Segundo a vereadora, Tarauacá precisa agir de forma mais organizada para evitar perder investimentos para municípios vizinhos.

"Está faltando união para lutar pelas grandes causas da nossa cidade", afirmou.

Mensagem final

Ao encerrar sua participação no Podcast Encontro Marcado, Veinha do Valmar agradeceu o convite e reafirmou seu compromisso com a população.

Ela destacou que continuará atuando como porta-voz das demandas da comunidade e defendendo melhorias para Tarauacá.

A entrevista revelou não apenas a trajetória política da parlamentar, mas também a história de uma mulher marcada pela dedicação à família, pela fé diante das perdas e pelo trabalho comunitário que a levou ao terceiro mandato consecutivo na Câmara Municipal de Tarauacá. 



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