Tarauacá revive espírito histórico de mobilização e vereadores articulam novo movimento pela implantação de campus da UFAC na regional



Em Tarauacá, uma das maiores mobilizações populares da história recente do município pode estar prestes a ganhar um novo capítulo. Catorze anos depois do movimento que levou milhares de pessoas às ruas em defesa da implantação do Instituto Federal do Acre (IFAC), lideranças políticas, juventude organizada, estudantes e setores da sociedade civil começam a construir uma nova bandeira coletiva: a luta pela implantação de um campus da Universidade Federal do Acre (UFAC) para atender a regional Tarauacá/Envira.


À frente dessa nova articulação aparecem os vereadores Chagas Batista e Janaína Furtado, parlamentares de campos políticos diferentes, mas que decidiram unir forças em torno de uma pauta considerada estratégica para o futuro da juventude da região.

A ideia é reeditar o movimento popular que, em 2012, mobilizou escolas, sindicatos, juventude, instituições públicas e a sociedade organizada em defesa da expansão do ensino técnico e superior em Tarauacá. Naquele momento, o município viu nascer um dos maiores atos públicos já registrados na cidade, movimento que anos depois ajudaria a consolidar a implantação do campus do IFAC no município.


O dia em que Tarauacá foi às ruas pela educação (tudo AQUI)

O movimento histórico ocorreu em 1º de junho de 2012, no Clube da Maçonaria, quando uma grande audiência pública reuniu representantes da UFAC, IFAC, Governo do Acre, Senac, parlamentares, sindicatos, estudantes e lideranças comunitárias.

Na época, o município ainda enfrentava uma dura realidade: jovens precisavam deixar Tarauacá para estudar em Rio Branco ou em outros centros urbanos, enfrentando despesas com aluguel, alimentação e deslocamento. Muitos desistiam do sonho universitário antes mesmo de começar.


A mobilização ganhou força nas escolas, bairros e comunidades. Caravanas foram organizadas por estudantes e professores. O movimento acabou entrando para a história política e educacional da cidade como o dia em que os “caras-pintadas” de Tarauacá ocuparam as ruas em defesa da educação superior.

A pressão popular produziu resultados concretos.

Pouco tempo depois, o IFAC iniciou oficialmente suas atividades em Tarauacá, primeiro em unidades provisórias e, posteriormente, com a construção do campus próprio às margens da BR-364. Hoje, a instituição se tornou referência regional em ensino técnico, tecnológico e formação profissional, atendendo estudantes de Tarauacá, Feijó e Jordão.

Agora, a luta é pela UFAC

Inspirados naquele episódio histórico, os vereadores Chagas Batista e Janaína Furtado querem transformar a pauta da interiorização da UFAC em um grande movimento regional.

A proposta é mobilizar prefeitos, vereadores, deputados estaduais e federais, Governo do Estado, bancada acreana no Congresso Nacional, movimentos estudantis, juventude organizada e instituições públicas dos municípios de Tarauacá, Feijó e Jordão.

Juntas, as três cidades já somam cerca de 100 mil habitantes, número frequentemente citado pelos defensores da proposta para justificar a necessidade de um campus universitário federal permanente na região.


Durante recente sessão da Câmara Municipal, o vereador Chagas Batista defendeu publicamente a construção do novo movimento.

“Nós precisamos de um campus da Universidade Federal do Acre aqui nessa região Tarauacá-Feijó-Jordão. Não apenas um curso isolado, mas um campus universitário que atenda toda a regional”, afirmou o parlamentar.

Segundo Batista, a discussão nasceu após uma reunião com cerca de 50 jovens de escolas estaduais e movimentos estudantis do município.

O vereador relatou depoimentos de estudantes que chegaram a ser aprovados em universidades da capital, mas desistiram por falta de condições financeiras para se manter fora de casa.

“Muitos passaram na universidade em Rio Branco, mas não tiveram condições de estudar por conta do deslocamento, aluguel e despesas longe da família”, destacou.

O parlamentar também defendeu que o momento político deve ser aproveitado para transformar a pauta em compromisso público das futuras lideranças estaduais.

“Temos que envolver deputados, candidatos ao governo e toda a bancada acreana para que assumam compromisso com essa bandeira”, acrescentou.


Janaína Furtado defende mobilização suprapartidária

A vereadora Janaína Furtado também assumiu posição de destaque na articulação.

Durante encontro com a juventude e em pronunciamentos públicos, a parlamentar afirmou que a luta pela universidade deve ultrapassar diferenças ideológicas e partidárias.

“Se for preciso irmos às ruas, colocar tinta no rosto, vai o de direita, vai o de esquerda, vai quem vota em Lula, quem vota em Bolsonaro. Essa pauta é da Universidade Federal do Acre para beneficiar toda a nossa população”, declarou.

Janaína destacou que a ausência de ensino superior público permanente no município ainda impede centenas de jovens de concluírem a graduação.

A vereadora relembrou a própria dificuldade enfrentada por estudantes do interior que precisam migrar para a capital.

“Nem todo mundo tem parente em Rio Branco. Sair daqui para trabalhar e estudar é muito difícil. O filho do ribeirinho precisa deixar sua cidade para buscar uma universidade porque ainda não temos isso aqui”, afirmou.

Segundo ela, a implantação de um campus da UFAC representaria mais do que formação acadêmica.

“Significa desenvolvimento social, fortalecimento da economia local e oportunidade para nossa juventude permanecer na sua terra”, defendeu.

UNE manifesta apoio ao movimento

O movimento também já começa a ganhar respaldo de entidades estudantis estaduais e nacionais.

Em vídeo enviado aos organizadores, a diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), Letícia Holanda, declarou apoio à mobilização e destacou a importância da interiorização da universidade pública.

“Quando a universidade chega ao interior, ela leva futuro sem arrancar a juventude das suas raízes”, afirmou.

Ela também ressaltou que a implantação da UFAC em Tarauacá significaria inclusão social e valorização dos saberes da floresta.

“Defender o campus da UFAC em Tarauacá é defender o direito do filho do seringueiro, da trabalhadora rural e da periferia urbana de estudar perto de casa”, disse.


Juventude organizada entra na linha de frente do movimento

Outro nome que passou a integrar diretamente a articulação em defesa da implantação do campus da UFAC em Tarauacá é o do coordenador municipal de Juventude, Kelvin Gomes, que vem participando das reuniões com estudantes, lideranças juvenis e parlamentares para fortalecer o debate em torno da interiorização do ensino superior federal.

Kelvin tem atuado na mobilização da juventude estudantil e na organização dos encontros que vêm reunindo alunos de escolas estaduais, representantes indígenas, movimentos sociais e jovens da zona urbana e rural do município.

Durante uma das reuniões recentes do movimento, o coordenador destacou que a principal missão neste momento é transformar o desejo da juventude em mobilização popular organizada.

“A palavra de ordem dessa conversa é mobilizar nossa juventude, organizar nossa juventude para que a gente possa discutir de forma séria e principalmente conquistar um campus da UFAC aqui no município de Tarauacá”, afirmou.

Kelvin também ressaltou que a luta pela universidade não pertence apenas à classe política, mas a toda uma geração que busca oportunidades sem precisar deixar sua terra natal.

Segundo ele, a juventude da regional precisa ser protagonista do debate.

“Estamos falando de jovens que sonham com uma profissão, mas que muitas vezes não conseguem sair do município por dificuldades financeiras. Essa luta é pela oportunidade de estudar perto da família e construir o futuro aqui mesmo”, defendeu.

A presença da Coordenação Municipal de Juventude no movimento amplia ainda mais o alcance da mobilização, que já começa a envolver estudantes secundaristas, representantes indígenas, movimentos estudantis e lideranças comunitárias de Tarauacá, Feijó e Jordão.

Nos bastidores, a avaliação é de que a participação ativa da juventude pode ser decisiva para transformar a pauta em um grande movimento regional, nos moldes da histórica mobilização que ajudou a consolidar a implantação do IFAC em Tarauacá
Regional estratégica
Além do aspecto educacional, os defensores da proposta argumentam que um campus da UFAC poderia impulsionar diretamente o desenvolvimento econômico da regional Tarauacá/Envira.

A expectativa é que a futura universidade possa ofertar cursos ligados às vocações locais, como:
Agronomia;
Gestão ambiental;
Licenciaturas;
Saúde;
Engenharia florestal;
Tecnologia;
Desenvolvimento sustentável;
Formação indígena e rural.

O discurso também se apoia na experiência bem-sucedida do IFAC, cuja implantação transformou o cenário educacional da região nos últimos anos.

A avaliação de lideranças locais é que Tarauacá já demonstrou capacidade de mobilização social suficiente para conquistar novos investimentos federais na educação.

E, ao que tudo indica, os “caras-pintadas” de 2012 podem voltar às ruas.

Agora, com uma nova bandeira: a chegada definitiva da Universidade Federal do Acre à regional Tarauacá/Envira.

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