O programa Bom Dia Tarauacá abriu espaço, mais uma vez, para um tema de grande relevância social e de saúde pública: a fibromialgia. A edição reuniu informação técnica, relato de vida e compromisso institucional com a participação da fisioterapeuta Dra. Úrsula Prado, da servidora pública Lenira Oliveira — portadora da síndrome — e da vereadora Janaina Furtado, que tem atuado na organização e no fortalecimento do movimento em defesa das pessoas acometidas pela doença no município.
Logo na abertura, o programa destacou que a fibromialgia ainda é um tabu para muitas famílias, que convivem com sintomas sem compreender sua origem. O objetivo da entrevista foi esclarecer a população e dar visibilidade a uma condição que afeta significativamente a qualidade de vida de quem convive com dores crônicas.
A fisioterapeuta Dra. Úrsula Prado explicou que a fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor crônica generalizada. Segundo ela, a dor pode começar em uma região do corpo e se espalhar, atingindo costas, membros superiores e inferiores.
A especialista destacou que a doença está relacionada à amplificação dos impulsos dolorosos pelo sistema nervoso, fazendo com que o paciente sinta a dor de forma muito mais intensa.
Entre os principais sintomas estão:
dor persistente e generalizada
fadiga constante
sono não reparador
rigidez muscular
impacto emocional e psicológico
Ela ressaltou ainda que fatores físicos e emocionais podem desencadear os sintomas e que a síndrome acomete majoritariamente mulheres, especialmente na fase adulta.
Outro ponto importante é que não existe exame específico para diagnóstico. A confirmação é clínica, após a exclusão de outras doenças.
Uma dor invisível: o relato de Lenira
A servidora pública Lenira Oliveira emocionou os ouvintes ao compartilhar sua trajetória. Ela contou que começou a sentir dores ainda antes dos 22 anos e, por muito tempo, recebeu diagnósticos equivocados.
Durante anos, conviveu com crises intensas, internações e limitações no trabalho, até conseguir confirmação diagnóstica após avaliação especializada.
Lenira destacou as dificuldades enfrentadas por quem não tem condições financeiras para buscar tratamento fora do município e ressaltou a importância do acesso à informação e ao acolhimento.
Hoje, ela integra o movimento local e orienta pessoas que suspeitam da doença a procurar a unidade básica de saúde para encaminhamento adequado. Também coordena o acolhimento de novos integrantes no grupo de apoio.
A Dra. Úrsula explicou que a fibromialgia não tem cura, mas possui tratamento capaz de reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida.
O acompanhamento inclui:
atendimento médico especializado (reumatologista)
acompanhamento psicológico
atividade física orientada
alimentação equilibrada
terapias complementares
Ela enfatizou que exercícios de baixo impacto, como Pilates, alongamentos e caminhadas leves, são fundamentais e devem respeitar os limites diários do paciente.
Além do tratamento físico, a especialista destacou o impacto emocional da doença, frequentemente agravado pela incompreensão social, já que se trata de uma condição invisível.
A vereadora Janaina Furtado destacou que o primeiro passo foi identificar e reunir as pessoas acometidas pela fibromialgia no município, criando um grupo organizado que hoje atua na busca por direitos e reconhecimento.
Segundo ela, dar visibilidade à doença é essencial para combater o preconceito e promover acolhimento familiar e social.
Entre os avanços já conquistados, a parlamentar destacou:
aprovação de lei municipal garantindo direitos às pessoas com fibromialgia
emissão de carteira de identificação no próprio município
atendimento prioritário garantido por lei
articulação com o PROCON para fiscalização do cumprimento da legislação
diálogo permanente com a Secretaria Municipal de Saúde
Ela também ressaltou o trabalho em construção para oferecer acompanhamento multidisciplinar, incluindo educador físico, nutricionista e psicólogo.
Outro passo importante será a criação de uma associação local para fortalecer a representatividade do grupo.
“Dar visibilidade é fazer com que as pessoas se sintam acolhidas. Quando conhecemos a síndrome, começamos a compreender a dor do outro”, destacou a vereadora.
Informação que transforma
A entrevista reforçou que a fibromialgia é uma condição real, incapacitante e ainda pouco compreendida. Ao levar informação às ondas do rádio, o programa contribuiu para ampliar o conhecimento, combater preconceitos e fortalecer a rede de apoio às pessoas que convivem com a síndrome.
A mensagem final das convidadas foi clara: informação, acolhimento e políticas públicas são essenciais para garantir dignidade e qualidade de vida.
💜 Fibromialgia existe.
💜 Dor invisível também precisa de cuidado.
💜 Informação gera acolhimento e respeito.
(fotos: Fabrício Rodrigues)
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