Vivemos tempos difíceis, em que a verdade precisa sussurrar para não ferir os ouvidos dos que lucram com a mentira. A lucidez se esconde, enquanto o oportunismo toma o palco, travestido de opinião, patriotismo ou moralidade. O certo, por vezes, precisa se calar para que o imbecil não se ofenda. Porque, hoje, questionar virou afronta e defender princípios virou “ataque pessoal”.
Há quem se incomode com quem pensa. Há quem se irrite com quem lê, com quem argumenta, com quem ousa dizer que o rei está nu. Para esses, a ignorância virou bandeira e o debate virou guerra.
Nos últimos tempos, o que mais vemos é a idolatria da estupidez: culto a falsos profetas da política, aplausos para discursos vazios e a crença cega em narrativas fabricadas para manipular corações e mentes. Enquanto isso, o Brasil real sofre com fome, desemprego, violência e desigualdade — problemas que não se resolvem com frases de efeito ou vídeos nas redes sociais.
A democracia, que deveria ser um espaço de construção coletiva, tem sido sequestrada pelo fanatismo. Quem discorda, vira inimigo. Quem critica, é perseguido. Quem tenta conscientizar, é ridicularizado.
Mas não podemos nos render.
A história já nos ensinou que a ignorância vence quando a inteligência desiste. E, por mais barulho que façam os que não têm nada a dizer, é a voz da razão que transforma o futuro.
Que não deixemos que o silêncio dos sensatos seja o combustível da tirania dos tolos.
O Brasil precisa do debate, da crítica, da coragem e do diálogo. Calar nunca foi e jamais será uma solução.
Por Raimundo Accioly
Tags:
OPINIÃO
