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sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Programa de obesidade da Fundhacre chega à 17ª cirurgia bariátrica

Da Agência Acre - Viver bem e com qualidade inclui sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física apropriada

O mapa da obesidade enfatiza que em 2025 há a estimativa de que 2,3 bilhões de adultos ao redor do mundo estejam acima do peso, sendo 700 milhões de indivíduos com obesidade, doença crônica que ceifa milhares de vidas. Os mais atingidos são os adultos. No entanto, em meados de 2016, a Organização Mundial de Saúde registrou um aumento da obesidade infantil.

Nessa perspectiva, o Brasil tem sido conduzido por inúmeras mudanças sociais, principalmente no que tange ao perfil alimentar. Logo, a obesidade é um fator atual que tem colaborado para o surgimento de complicações de ordem física e mental, dentre elas, a artrose, inflamação que ocorre frequentemente nas articulações inferiores, e a depressão, que reduz o interesse em atividades de lazer e causa tristeza e alteração no humor.
Programa de Obesidade

O Programa de Obesidade está presente em 22 capitais do Brasil, incluindo Rio Branco. A partir de 2019, a Fundação Hospitalar do Acre iniciou as cirurgias bariátricas por videolaparoscopia, nesse período houve um curso, no qual toda a equipe multidisciplinar participou em São Paulo. Ainda em 2019 foram contabilizadas 10 cirurgias, apesar de não ter um valor expressivo, tal quantidade significa um esforço interno para aumentar os procedimentos cirúrgicos na Fundhacre e isso aconteceu em 2020, com o número significativo de 17 cirurgias bariátricas.

Francisca Aucilene Gomes de Moura Souza foi operada em 13 de outubro e descreveu o processo: “A cirurgia foi ótima, não tive nenhuma reação, a duração foi de uma hora e, ao longo do processo, entre as palestras e o dia da cirurgia eu mantive o foco, para que eu pudesse emagrecer e minha cirurgia fosse um sucesso. Estou ingerindo líquido, estou bem”.

Paciente Aucilene e o médico Romeu Delilo Foto: cedida

O cirurgião Romeu Delilo Junior é coordenador do Programa de Obesidade e contou os desafios que complicam o percurso funcional de uma cirurgia bariátrica, tal como o material utilizado, que é de alto custo. Romeu destacou que hoje o grupo tem, em média, 30 pacientes só no pré-operatório, elegíveis para a cirurgia, e que esses estão passando pela equipe multidisciplinar.



A psicóloga Flávia Aragão faz parte da equipe multidisciplinar do hospital desde 2015 e é responsável pela avaliação psicológica dos participantes. “O excesso de gordura devido a uma vida sedentária, a má alimentação e fatores genéticos geram um sofrimento, sobretudo na área psicológica. Na infância, a criança é vista como fofa, cheinha, não obeso. Entretanto, na fase da adolescência a situação fica delicada, já que as transformações acontecem simultaneamente e o que era fofo, deixa de ser, se torna feinho. A partir disso começa o bullying e o cyberbullying na escola, de modo que a sociedade estimula estereótipos e exige padrões de estética, porém estimula uma alimentação não saudável e culpa o outro por não ter uma imagem ideal”, explica a psicóloga.

O endocrinologista Saul Ruiz faz parte da equipe multidisciplinar da Fundhacre e relatou o objetivo da especialidade que concerne em :”saber se o paciente com obesidade é decorrente de uma causa endógena ou exógena, aquela se refere às doenças hormonais e genéticas, desde o hipotireoidismo, que afeta mulheres e homens. A segunda é mais comum e procede da alimentação”.

Alessandra de Queiroz e o endocrinologista Saul Ruiz

Alessandra Oliveira de Queiroz é coordenadora do grupo de obesidade e relatou a mudança no atendimento do programa, que antes era voltado para a reeducação alimentar e agora tem um objetivo específico de realizar a cirurgia bariátrica por videolaparoscopia que chegam até a Fundhacre por encaminhamento de outras unidades básicas de saúde pública. “Geralmente os pacientes com obesidade e aqueles acometidos por outras comorbidades são acompanhados regularmente, por meio de consultas, rodas de conversa e palestras que visam a orientação e o desenvolvimento emocional e físico do paciente”, esclarece.
A importância das atividades físicas

A Organização Mundial de Saúde recomenda que o indivíduo adulto faça 150 minutos de atividade física por semana, isso equivale a 2 horas e meia, seja dançando, caminhando, pedalando ou nadando, manter o corpo em movimento é benéfico para a saúde e retarda enfermidades ao longo do processo de envelhecimento.

Nesse contexto, a redução de um comportamento sedentário é um indicativo de longevidade e qualidade de vida. Além disso, não há saúde sem sono adequado, pois este é agente importante na preservação da memória e funcionamento apropriado dos órgãos.

A diabetes e a hipertensão são comorbidades que avançaram entre os brasileiros e, no período da pandemia, elas colaboraram para o agravamento da infecção por Covid-19, já que elas são doenças que podem alterar as funções de órgãos como os rins e causar dores no peito, visão embaçada, entre outros. Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, 388 pessoas morrem por dia em decorrência da hipertensão.

O Ministério da Saúde por meio do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, 2011-2022, definiu priorizar a execução dos investimentos necessários para o enfrentamento da obesidade, logo, a portaria n°482 de 2017 inclui o procedimento de Cirurgia Bariátrica por Videolaparoscopia no Sistema Único de Saúde-SUS.

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