Deputado Moisés Diniz não vai se afastar do cargo, mas admite que vai fazer tratamento de saúde/Foto: Odair Leal
Entrevistar o deputado Moisés Diniz é traçar o retrato de um homem cansado. Líder do governo na Assembléia Legislativa do Acre (Aleac) pela segunda vez, estando à frente do Partido Comunista do Brasil, o parlamentar tem demonstrado visível abatimento. Há meses lutando contra a hipertensão arterial, Moisés fala sem meias palavras do cansaço e decepção com a política.
Em entrevista a Agencia ContilNet o deputado comunista falou que a pedido do próprio governador Tião Viana (PT) começará um tratamento médico na próxima semana para controlar a pressão arterial, dividindo seu tempo entre Acre e São Paulo, e disse que o debate na Aleac tem caído de nível.
Sobre o cansaço, ele encara como consequência de todos esses anos em que vem trabalhando com a política. “Há um cansaço natural do ponto de vista do tempo mesmo, é a segunda vez que sou líder do governo, isso não é fácil e a inda há as divergências naturais dentro da Frente Popular. Eu fico muito preocupado de estar na tribuna ser vitima de uma provocação minha pressão aumentar e eu morrer de graça” diz.
Para Moisés, o nível dos debates da Aleac tem regredido por falta de ética no parlamento. “O debate político que havia melhorado nos últimos anos tem regredido e isso é ruim. Creio que é possível que haja mais qualidade no debate tanto na oposição em questionar quanto da situação em responder. É preciso que se tenha mais tolerância e civilidade, sem abrir mão dos seus princípios e opiniões, mas respeitando cada vez mais o espaço dos outros”, diz.
A respeito da postura combativa na tribuna, que por vezes é considerada agressiva pelos oposicionistas, o comunista diz que faz parte do trabalho que ele tem que desenvolver, mas que respeita democraticamente o espaço de cada deputado dentro do parlamento. “Hoje eu comparo as atitudes de um deputado às atitudes de uma prostituta. Precisei fazer isso. Comparar um governador de Estado a um traficante de drogas é jogar a política acreana no esgoto. Eu me vi obrigado a ir junto com o deputado para o esgoto, pelo menos pra ver se conseguia traze-lo de lá”, diz.
Veja a seguir os trechos da entrevista com Moisés Diniz:
Agência ContilNet- Como tem sido ser líder do governo na Aleac por dois mandatos?
Moisés Diniz- Não é fácil ser líder de um governo que já esta há quase quartoze anos no poder. Um governo de 13 anos de uma mesma frente política cansa, as pessoas se acomodam, começam a fazer do mesmo jeito o que deveria ser renovado a cada mês, então abre muitas brechas para a oposição, mas mesmo assim acredito que este é um governo que faz bem para o Acre.
Agencia ContilNet- Os debates na Aleac tem baixado de nível cada vez mais. O que o senhor acha disso?
Moisés Diniz- Considero que é possível ter mais civilidade. Acredito que é possível termos aqui um debate que embora acirrado, já que as forças são opostas, pautado no interesse coletivo e que seja pauta na cortesia, mas tem que ser de ambos os lados. Temos um debate político que está regredindo a olhos vistos. É preciso ter mais tolerância de ambas as partes.
Agencia ContilNet- Como o senhor avalia a oposição no Acre?
Moises Diniz- A oposição no Acre está dividida e o espelho dessa divisão é ter cinco candidaturas a prefeito em Rio Branco. Eles dizem que isso ajuda para estarem juntos no segundo turno, mas isso só ocorre no Acre porque no restante do planeta quando tem se juntar se junta logo no primeiro turno. Essa divisão na oposição leva a falta de um líder na oposição que seja capaz de conduzir os debates na casa, que possa unificar a oposição. Aqui na Aleac os representantes da oposição cada um tem um tom e não se entendem no discurso.
Agencia ContilNet- O senhor teme pelo desgaste de imagem que os lideres de governo sofrem?
Moisés Diniz- Eu já passei no teste, me reelegi mesmo quando fui líder de um governo técnico que não atuava na política, que foi o governo de Binho Marques, que fez um excelente governo, mas é consenso que ele foi extremamente técnico.
Agencia ContilNet- O senhor vai se licenciar?
Moisés Diniz- Eu tinha pensando em me licenciar, mas conversando com o governador ele está usando os contatos de amigos médicos e irei através dele fazer um tratamento São Paulo. Irei lá fazer os exames, mas volto para o meu trabalho aqui. A idéia de licenciamento está cancelada.
Agencia ContilNet- O senhor é pré-candidato em Tarauacá?
Moisés Diniz- Não. Lá temos um pré-candidato que é o Chagas Batista e mais dois pré-candidatos e mais dois candidatos da Frente Popular, que é o médico Rodrigo Damaceno, do PT e o vereador Chico Batista do PDT. A coligação irá iniciar um processo de discussão para escolher o melhor nome da FPA em Tarauacá.
Agencia ContilNet- Pela folha de serviços prestados como líder do governo, o senhor espera ser presidente da Aleac?
Moisés Diniz- Eu não estou colocando a presidência da Aleac como uma bandeira ou algo a alcançar. Eu acho que posso cumprir um bom papel como líder do governo, inclusive concluindo o governo do Tião Viana. Não sei qual o meu futuro, se serei candidato a deputado estadual, se vou tentar ser deputado federal ou se não vou ser candidato.
Agencia ContilNet- A sua paixão pela política é a mesma de 10 anos atrás?
Moisés Diniz- Não. Minha paixão pela política caiu muito, porque as utopias que nos alimentavam, quando você chega ao governo percebe que elas não são todas realizáveis e a luta política é muito perversa.
Agencia ContilNet- Em que a política lhe mudou?
Moisés Diniz- Sou o mesmo, embora as vezes as pessoas tenham outra nossa impressão. Pela dureza da política às vezes acabamos passando uma imagem combativa, desprovida de emoção e isso no meu caso não representa o que eu sou. Eu sou um cara que gosta de sair, se divertir, beber cerveja com os amigos, gosto de poesia, estou, inclusive, escrevendo mais um livro. Esse ser humano que eu sou não aparece na televisão, não aparece nos jornais, o que aparece é o cara da disputa, da briga, o cara frio, como se eu não amasse, como se eu não tivesse pressão alta. O ser humano desaparece na política.
Agencia ContilNet- Está preparado para os combates de ano eleitoral?
Moisés Diniz- Continuar com essa cara, pele de aço para proteger o ser humano que tem dentro, que chora, que ama, que reza, que tem medo quando entra no avião e que se benze escondido para ninguém ver quando o avião começa a balançar. Esse ser humano vai ter que continuar se escondendo por trás da cara de luta. Estou disposto.
Agencia ContilNet – O seu partido está confortável dentro da Frente Popular do Acre?
Moisés Diniz- Há disputas políticas dentro da coligação como existe em qualquer lugar, isso faz parte do processo democrático. O PCdoB segue fortalecido. Este ano trabalharemos para que o partido comunista no Acre cresça ainda mais.
Li bem essa entrevista com o deputado ultra governista e puxa saco Moisés Diniz. E só tirei uma conclusäo: É que aqui neste estado à saúde é somente para que já tâ quase morrendo, pois se foce boa ele se tratava aqui na fundaçäo hospitalar. Mais como ele é amigo do rei vai vai para SAMPA.
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