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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

AUDIÊNCIA PÚBLICA: VIOLÊNCIA EM TARAUACÁ

"Para que possamos combater a violência em Tarauacá. Alguém tem que começar!!!"

A situação de medo e intranquilidade vigente em Tarauacá, estar longe de ser resolvida, porém a tomada de algumas medidas é necessária para que tenhamos a “sensação” de maior segurança em nosso meio social. Por outro lado pensamos: Se a violência é urbana, pode-se concluir que uma de suas causas é o próprio espaço urbano de Tarauacá? Nos bairros mais carentes, nas quais a presença do Poder Público é fraca, o crime consegue instalar-se mais facilmente. Assim, acontece nos bairros da Praia e Triângulo e tantos outros, onde a população vendem suas casas com medo da violência.

Esses espaços são segregados, são áreas urbanas em que a infra-estrutura urbana de equipamentos e serviços (saneamento básico, energia elétrica e iluminação pública, transporte, lazer, cultura, segurança pública) é precária ou insuficiente, e há baixa oferta de emprego ou quase nenhum.

Há quem diga que a pobreza é a maior causa da violência. Não é a pobreza que causa a violência. Se assim fosse, áreas extremamente pobres do Nordeste não apresentariam como apresentam índices de violência muito menores do que aqueles verificados em outras áreas do país.

A desestruturação familiar é causa, porque sem laços familiares fortes, a probabilidade de uma criança vir a cometer um crime na adolescência é maior. Mas a desestruturação de sua família pode ter sido iniciada pelo assassinato do pai ou da mãe, ou de ambos. Temos exemplos claros acerca desse assunto aqui mesmo em Tarauacá.

Também não é o desemprego. Mas o desemprego de ingresso – quando o jovem procura o primeiro emprego, objetivando sua inserção no mercado formal de trabalho, e não obtém sucesso – tem relação direta com o aumento da violência, porque torna o jovem mais vulnerável ao ingresso no mundo das drogas e na criminalidade. Na verdade, o desemprego, ou o subemprego, mexe com a auto-estima do jovem e o faz pensar em outras formas de conseguir espaço na sociedade, de ser, enfim, reconhecido.

OS CAMINHOS PARA A SOLUÇÃO

Para um enfrentamento das causas de uma violência, a participação de toda a sociedade tarauacaense – cobrando tanto soluções do Poder Público como se organizando em redes comunitárias de proteção e apoio, de desenvolvimento social e mesmo de questões de segurança pública – pode ser um caminho. Não significa substituir as funções do Estado, mas trabalhar em conjunto. E é importante não transformar o diagnóstico, a identificação das causas, em motivo para mais violência. Afirmar que as áreas urbanas mais desprovidas de recurso facilitam a criminalidade não significa dizer que os moradores dessas áreas sejam culpados. Na verdade, além de enfrentar condições precárias de subsistência, essa população ainda é a principal vítima de crimes violentos.

Grande parte das ações necessárias está na gestão urbana de nossos governantes acriano. Como a segurança pública é tarefa do Estado, é preciso haver integração entre políticas urbanas e políticas de segurança pública entre nossos governantes.

A escola também é um ponto importante: espaço privilegiado de convívio e de formação da pessoa precisa ter qualidade e se integrar à comunidade a sua volta. Escolas que permanecem abertas nos finais de semana, para uso da comunidade, conseguem quase eliminar o vandalismo em suas dependências.
Além de uma escola pública melhor, fazem parte da lista de ações recomendadas por quem estuda a violência uma polícia melhor equipada, remunerada e um Poder Judiciário mais ágil.

Por: Flávio Pereira dos Santos

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