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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Com apenas a 3ª série do primário o novo prefeito de Bujari é “doutor” em sabedoria popular


O oficio de padeiro aprendeu em Tarauacá, aos oito anos de idade, mas foi na cidade de Bujari, já adulto, onde o apelido pegou força, desde então deixou de ser o João Edvaldo Teles de Lima e passou a ser simplesmente Padeiro. O homem que com apenas a 3ª série do primário pode ser considerado doutor em sabedoria popular.

Aos 51 anos de idade, Padeiro (PMDB) foi eleito para conduzir pela terceira vez a prefeitura de Bujari (distante 28 km da capital), com 2.894 votos, 53% dos votos válidos contra 2.546 (46%) do atual prefeito Michel Marques (PT) seu único adversário na disputa.

“Eu estava preparado para ganhar até por um voto. Mas o povo me deu muito mais que isso. Não tenho do que reclamar”, declara feliz.

Segundo Padeiro, ele percebeu que iria ganhar a eleição, quando um mês antes do final da campanha tudo começou a dar errado. “Tudo que eu contava dava 13. Todas as ruas da cidade tinham bandeira do 13. O número 13 me perseguia, então passei a encarar isso como o sinal de algo positivo. Das 19 urnas existentes no município ganhei em 13 e hoje sou prefeito”, brinca.

O local onde funcionou o comitê de campanha do Padeiro era antes uma churrascaria. Foi lá onde ele passou os quatro anos que ficou sem mandato, ganhando a vida ao lado da mulher e dos filhos. E apesar de ser a sua única fonte de renda, ele não teve dúvida na hora de fechar o estabelecimento comercial e usar o ponto como comitê de campanha.

E foi naquele ponto, atrás do balcão, assando carne, que percebeu que a sua relação com o povo ainda era muito forte. Resolveu então fazer um teste. Se lançar candidato a deputado estadual nas eleições de 2006 e sem visitar uma única casa obteve 1.021 votos só no Bujari. “A eleição de 2006 foi o meu Ibope. Então era só trabalhar em cima daquele resultado”, revela.

Segundo Padeiro, sua campanha foi na base da garganta e do pé no chão. Auxiliado por um grupo de 20 pessoas, incluindo a mulher e os três filhos, deu início a visita de casa em casa. Realizou apenas um comício e duas carreatas.

“Comigo só tem duas palavras: sim ou não. Não têm essa de ficar enrolado as pessoas. Fiz uma campanha sem recurso e nem por isso deixei de ser recebido pelos moradores da minha cidade”, garante.

Fidelidade partidária acima de tudo

Apesar de se mostrar disposto a buscar parcerias com o governo do Estado, de forma a beneficiar a sua cidade, Padeiro se revela um homem partidário acima de tudo, tendo na pessoa do presidente da Executiva Regional do PMDB, deputado federal Flaviano Melo, um exemplo de político a ser seguido.

“No dia que eu deixar o PMDB é porque estou deixando a vida pública”, declarou, acrescentando que o PMDB é o maior partido do país, é quem sustenta o governo Lula em Brasília, e não crê que seja tratado com ingratidão na hora que for em busca de recursos.

Cautela com os gastos públicos

Padeiro ganhou a prefeitura, mas fez apenas três dos nove vereadores da Câmara Municipal. Apesar disso está otimista em relação a mais essa gestão e promete muita cautela na hora de gastar o dinheiro público.

“Tudo o que for positivo nós vamos manter. A feira livre do peixe, por exemplo, foi algo iniciado por nós e que será mantido. A programação em comemoração ao aniversário da cidade também, com a diferença de que nós não vamos esbanjar o dinheiro público, vamos gastar dentro das nossas possibilidades e prioridades”, avisa.

Faxina geral na cidade no primeiro dia de gestão

“A população já se libertou. Agora nós vamos libertar a cidade”, declara Padeiro ao anunciar uma faxina geral no município de Bujari no seu primeiro dia de gestão, acrescentando ainda que se for preciso lavar as ruas ele fará.

A justificativa dada por ele é que Bujari ficou muito tempo oprimida e precisa de algo que simbolize a sua libertação. Outra medida de impacto é a realização de mutirões para calçar e pavimentar ruas. “Faço questão de participar junto com o povo dessas outras. Eu já fiz isso e vou fazer de novo”, finalizou.

Dulcinéia Azevedo, redação ac24horas
Fotos: Damião Castro

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