Com mobilizações nas ruas, articulação de lideranças e um grupo de WhatsApp com mais de mil integrantes, apoiadores de Lula ampliaram a presença da campanha no segundo turno. Resultado também movimenta as discussões sobre o futuro político dos partidos progressistas no município.
As eleições de 2026 terminaram, mas deixaram em Tarauacá um capítulo importante da organização política local. Em um município onde Flávio Bolsonaro (PL) conquistou a maioria dos votos para presidente, militantes de esquerda, lideranças sindicais, representantes partidários, jovens e trabalhadores rurais se reuniram para defender a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A mobilização, que ganhou o nome de “Exército de Lula em Tarauacá”, reuniu diferentes setores da sociedade e levou a campanha para as ruas, bairros e redes sociais, especialmente durante o segundo turno.
Três aspectos dessa experiência merecem atenção: a disposição dos militantes em organizar uma campanha coletiva, a articulação dos partidos do campo progressista e os possíveis desdobramentos dessa movimentação para as eleições municipais de 2028.
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| João Maciel, presidente do Sinteac, Professor Carlos Souza, secretário municipal de Educação e vereador Chagas Batista |
1. A militância que reuniu lideranças, ocupou as ruas e movimentou as redes sociais
Entre os nomes que tiveram participação destacada na articulação estão o professor João Maciel, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac) em Tarauacá; o professor Carlos Souza, secretário municipal de Educação; e o vereador Chagas Batista (PCdoB), uma das lideranças históricas da esquerda no município.
A eles se juntaram o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sandro Falcão, lideranças jovens, militantes da União da Juventude Socialista (UJS), grupos de jovens ligados ao PT, camponeses, trabalhadores e moradores de diferentes setores da cidade.
O movimento reuniu pessoas com trajetórias distintas, mas identificadas com a campanha presidencial de Lula. Para seus integrantes, a disputa eleitoral representava também uma oportunidade de reorganizar a militância e ampliar o diálogo político com a população.
Durante o segundo turno, a mobilização ganhou visibilidade com carreatas, bandeiraços, caminhadas e distribuição de materiais de campanha. As manifestações reuniram apoiadores em espaços públicos e fizeram parte de uma estratégia que combinou atividades presenciais com comunicação digital.
Uma das iniciativas de maior alcance foi a criação do grupo de WhatsApp denominado “Exército de Lula”. Em aproximadamente uma semana, o espaço ultrapassou a marca de mil participantes, reunindo apoiadores para compartilhar vídeos, notícias, materiais eleitorais e informações sobre as atividades da campanha.
O grupo também foi utilizado para organizar manifestações e facilitar a comunicação entre participantes. Em 18 de outubro, por exemplo, apoiadores realizaram um bandeiraço na Praça da Juventude, no Bairro da Praia.
A experiência chamou atenção pela participação de lideranças sindicais, políticas e comunitárias em uma mesma mobilização, evidenciando o papel que a organização popular e as redes sociais passaram a desempenhar na campanha local.
Lula ampliou seu percentual de votos válidos, apesar da redução no número absoluto de votos
Os resultados oficiais da eleição presidencial ajudam a compreender o cenário político enfrentado pelos militantes.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula recebeu 8.099 votos em Tarauacá, correspondentes a 37,66% dos votos válidos.
Já no segundo turno, realizado em 25 de outubro, o presidente recebeu 7.729 votos, alcançando 42,87% dos válidos.
Isso significa que Lula aumentou sua participação percentual em 5,21 pontos percentuais, embora tenha registrado 370 votos a menos em números absolutos.
Seu adversário, Flávio Bolsonaro, passou de 12.435 votos no primeiro turno para 10.300 no segundo. A diferença entre os candidatos diminuiu de 4.336 para 2.571 votos.
A mudança ocorreu em um cenário de redução do comparecimento eleitoral. A abstenção em Tarauacá passou de 24,58% para 36,25% entre os dois turnos.
Embora os números não permitam estabelecer quanto desse resultado pode ser atribuído diretamente à mobilização do “Exército de Lula”, o crescimento percentual do presidente aconteceu no mesmo período em que seus apoiadores intensificaram as atividades de campanha.
Para os participantes do movimento, a experiência deixou como resultado não apenas a votação obtida, mas também uma rede de contatos, lideranças e militantes que poderá continuar participando do debate político municipal.
Outro aspecto que merece atenção é a participação dos partidos identificados com a esquerda e a centro-esquerda em Tarauacá.
PCdoB, PT e PSB estiveram entre as referências partidárias do campo progressista durante o processo eleitoral, que também contou com a atuação de organizações sociais e movimentos juvenis.
O PCdoB mantém representação na Câmara Municipal com o vereador Chagas Batista, enquanto o PT possui uma trajetória histórica na organização de movimentos populares e sindicais. O PSB também integra o campo político progressista e participa das discussões sobre os rumos da política local.
A mobilização em torno da candidatura presidencial criou um espaço de aproximação entre militantes dessas diferentes organizações.
Na leitura política de integrantes desse campo, a experiência representa uma oportunidade de fortalecimento organizativo, especialmente pela ampliação dos contatos com jovens, trabalhadores e lideranças comunitárias.
É importante, entretanto, distinguir esse fortalecimento da organização militante de um eventual crescimento eleitoral dos partidos. A eleição presidencial, isoladamente, não permite medir quantos votos cada legenda poderá receber em futuras disputas municipais.
Mesmo assim, a articulação construída durante a campanha deixa uma questão relevante para o cenário político de Tarauacá: essas lideranças conseguirão manter o diálogo e a participação coletiva depois das eleições?
A resposta dependerá da continuidade das atividades partidárias, da atuação dos movimentos sociais e das decisões políticas tomadas ao longo dos próximos dois anos.
3. Terminada a eleição, começam as conversas sobre 2028
Com o encerramento das eleições gerais de 2026, a vida cotidiana retoma seu ritmo e a atenção das lideranças políticas começa, gradualmente, a se voltar para o próximo calendário eleitoral.
Em 2028, os eleitores de Tarauacá voltarão às urnas para escolher prefeito e vereadores.
Embora ainda faltem dois anos para a disputa municipal, esse intervalo costuma ser um período de conversas, articulações partidárias, avaliação de resultados e discussão sobre possíveis alianças e candidaturas.
No campo progressista, a experiência de organização durante a campanha de Lula passa a integrar esse cenário. O mesmo ocorre com os demais agrupamentos políticos que participaram das eleições gerais e agora começam a avaliar seus resultados.
Questões como a continuidade da atuação conjunta entre PT, PCdoB e PSB, a participação das lideranças sindicais e o envolvimento dos jovens estarão entre os temas que poderão surgir nas discussões políticas locais.
Ainda é cedo para afirmar quais composições partidárias serão construídas ou quais nomes participarão da próxima disputa pela Prefeitura e pela Câmara Municipal. Essas definições dependerão das decisões das legendas, das lideranças e do próprio desenvolvimento da política tarauacaense.
O que já pode ser registrado é a mobilização de diferentes setores da esquerda durante o segundo turno de 2026 e a formação de uma rede de participantes que compartilhou atividades nas ruas e nas plataformas digitais.
O que fica depois das eleições
A eleição terminou. Lula foi reeleito presidente da República, enquanto Flávio Bolsonaro conquistou a maioria dos votos em Tarauacá e no Acre.
No município, a campanha também deixou registrada a atuação de João Maciel, Carlos Souza, Chagas Batista, Sandro Falcão, das organizações juvenis, dos trabalhadores rurais e de numerosos apoiadores que participaram das atividades do chamado “Exército de Lula”.
Para além dos resultados das urnas, essa mobilização passa a fazer parte da história recente da participação política em Tarauacá.
E, se as eleições de 2026 chegaram ao fim, as conversas sobre 2028 estão apenas começando.
As possíveis alianças, o posicionamento dos partidos, a atuação das lideranças e os cenários para a sucessão municipal serão tema de uma matéria especial que o Blog do Accioly publicará em breve.
Blog do Accioly — Tarauacá, Acre | 27 de outubro de 2026.
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EXÉRCITO DE LULA


