Polícia Militar reforça combate à violência doméstica e intensifica ações preventivas em Tarauacá e Feijó


A violência doméstica continua sendo um dos maiores desafios para a segurança pública e para a proteção dos direitos das mulheres no Acre. Com o objetivo de fortalecer o enfrentamento a esse tipo de crime, a Polícia Militar do Estado do Acre (PMAC) intensificou, nesta semana, uma série de ações educativas e operacionais nos municípios de Tarauacá e Feijó, aliando prevenção, orientação e fiscalização ao trabalho ostensivo realizado nas ruas.

As informações foram apresentadas durante entrevista concedida ao programa Bom Dia Tarauacá, pelos integrantes da Patrulha Maria da Penha, sargento E. Silva e soldado Nayane Lira.

Operação reforça efetivo policial na regional

Segundo o sargento E. Silva, a atuação faz parte da Operação Brasil Contra o Crime Organizado, desenvolvida em todo o estado e que mobilizou aproximadamente 50 policiais na regional Tarauacá/Feijó.

A operação reúne equipes especializadas do BOPE de Rio Branco e Cruzeiro do Sul, policiais do serviço de inteligência, policiamento comunitário e Patrulha Maria da Penha, realizando:

patrulhamento ostensivo;
abordagens em áreas consideradas sensíveis;
levantamento de informações pela inteligência;
fiscalização do cumprimento de medidas protetivas;
palestras em escolas;
panfletagem e orientação à população.

Além do combate ao crime organizado, o foco também está na aproximação entre polícia e comunidade.

"É melhor prevenir que o crime aconteça do que agir apenas depois da violência", destacou o sargento durante a entrevista.

Violência contra a mulher vai muito além da agressão física

Um dos pontos centrais da entrevista foi a explicação da soldado Nayane Lira sobre os diversos tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha.

Ela alertou que muitas mulheres só identificam a violência quando ocorre a agressão física, embora existam outras formas igualmente graves.

Entre elas estão:
Violência psicológica – ameaças, humilhações, manipulação emocional e destruição da autoestima;
Violência patrimonial – retenção de documentos, controle do dinheiro, destruição de bens pessoais e cartões bancários;
Violência moral – calúnia, injúria e difamação;
Violência sexual – qualquer ato sexual praticado sem consentimento;
Violência vicária – quando o agressor ataca filhos, familiares ou até animais de estimação para atingir emocionalmente a mulher.

Segundo a policial, reconhecer esses sinais é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência.

Procurar ajuda o quanto antes faz diferença

Durante a entrevista, Nayane orientou que mulheres vítimas de violência procurem ajuda assim que identificarem qualquer uma dessas situações.

Ela recomenda inicialmente buscar uma pessoa de confiança da família ou da rede de apoio e, em seguida, procurar os órgãos responsáveis.

Entre os canais de atendimento estão:
Polícia Militar;
Polícia Civil;
Patrulha Maria da Penha;
Secretaria Municipal da Mulher;
Centro de acolhimento às vítimas;
Disque 190, em situações de emergência.

A policial destacou ainda que muitas vítimas permanecem em relacionamentos abusivos por dependência financeira ou medo das consequências, reforçando a importância do apoio familiar e institucional.
Descumprimento de medida protetiva pode levar à prisão

Outro tema abordado foi a responsabilização dos agressores.

O sargento explicou que quem descumpre medidas protetivas impostas pela Justiça, como se aproximar da vítima ou manter contato por mensagens ou terceiros, comete novo crime.

A legislação prevê pena de três a cinco anos de prisão, além da possibilidade de adoção de outras medidas cautelares, como monitoramento eletrônico.
Acre registra preocupação com aumento da violência doméstica

Durante a entrevista, a Patrulha Maria da Penha revelou preocupação com os indicadores da regional Tarauacá/Feijó.

Segundo o sargento E. Silva, houve crescimento nas ocorrências de violência doméstica, aumento das chamadas ao telefone 190 relacionadas a esse tipo de crime e registro recente de feminicídios na região, o que motivou novas ações da Polícia Militar.

Operação Mulher Segura será realizada na região

Como resposta ao aumento dos casos, a Polícia Militar anunciou a realização da Operação Mulher Segura, que mobilizará equipes especializadas vindas de Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Feijó e Tarauacá.

As ações incluem:

visitas preventivas;
fiscalização de medidas protetivas;
palestras;
rodas de conversa;
orientação jurídica;
campanhas educativas;
fortalecimento da rede de proteção às mulheres.

Informação salva vidas

A entrevista reforçou que combater a violência doméstica não depende apenas da atuação policial, mas também da conscientização da sociedade.

Muitas mulheres ainda não reconhecem que vivem em situação de violência, especialmente quando não há agressões físicas. Por isso, ações educativas, campanhas permanentes e canais acessíveis de denúncia são fundamentais para romper o ciclo da violência e preservar vidas.

A Polícia Militar reforça que qualquer pessoa pode denunciar casos de violência doméstica e que a denúncia, muitas vezes, representa a oportunidade de impedir que uma situação de abuso evolua para consequências ainda mais graves.

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