Caso de raiva em bovino é confirmado em Tarauacá - IDAF alerta produtores e reforça medidas de prevenção


Doença é fatal, pode ser transmitida aos seres humanos e mobiliza força-tarefa de vigilância em cerca de 271 propriedades rurais do município

A confirmação de um caso de raiva em bovino no município de Tarauacá colocou o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) em estado de alerta. Em entrevista concedida à radialista Rose Oliveira, no programa Bom Dia Tarauacá, os médicos-veterinários Wander Melo, chefe da Unidade Local do Idaf, e Renan Viana detalharam a situação, explicaram os riscos da doença e orientaram os produtores rurais sobre as medidas que devem ser adotadas imediatamente.

Segundo os veterinários, o caso foi confirmado em um bovino de uma propriedade localizada na região da BR-364, sentido Cruzeiro do Sul. Após a confirmação laboratorial, o Idaf iniciou imediatamente todas as ações previstas no Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros.

Raiva é uma zoonose e representa risco também para as pessoas

Durante a entrevista, o médico-veterinário Wander destacou que a raiva não é apenas uma doença dos animais.

Trata-se de uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida ao ser humano. Por esse motivo, além das medidas voltadas ao rebanho, o Idaf notificou imediatamente a Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria de Estado de Saúde para que sejam adotados os protocolos de acompanhamento das pessoas que eventualmente tiveram contato com animais suspeitos.

A transmissão ocorre principalmente pela saliva de animais infectados, sendo o principal vetor nos herbívoros o morcego hematófago (Desmodus rotundus), conhecido por se alimentar de sangue. Os veterinários ressaltaram que nem todos os morcegos transmitem a doença, mas os ataques desse morcego a bovinos, equinos e outros herbívoros devem ser comunicados imediatamente ao Idaf.

Vacinação passa a ser obrigatória na área do foco

Como determina o protocolo sanitário, foi delimitada uma área de vigilância compreendida entre o quilômetro 10 e o quilômetro 40 da BR-364, no sentido Tarauacá–Cruzeiro do Sul.

Todos os produtores rurais localizados dentro desse perímetro deverão vacinar seus rebanhos contra a raiva e guardar as notas fiscais da vacina, além de emitir o atestado de vacinação. As casas agropecuárias do município também já foram oficialmente comunicadas sobre a necessidade de manter estoque do imunizante.

Sintomas exigem comunicação imediata

Os veterinários alertaram que muitos produtores confundem os primeiros sinais da doença com intoxicações por plantas ou até mesmo com botulismo.

Entre os principais sintomas estão:dificuldade para caminhar;
isolamento do restante do rebanho;
comportamento agressivo ou fuga constante;
salivação intensa;
sinais neurológicos;
incapacidade de permanecer em pé.

Ao perceber qualquer um desses sintomas, a orientação é não manipular o animal e comunicar imediatamente o Idaf, que realizará a investigação e, quando necessário, a coleta de material para diagnóstico laboratorial.

Manipular animais suspeitos pode colocar vidas em risco

Outro ponto enfatizado durante a entrevista foi o risco para as pessoas.

Os veterinários orientam que produtores e trabalhadores rurais evitem qualquer contato direto com animais suspeitos, principalmente com saliva e outros fluidos corporais.

Segundo Wander, a raiva é considerada uma das doenças mais letais conhecidas, praticamente sem possibilidade de cura após o aparecimento dos sintomas, tanto em animais quanto em seres humanos. Por isso, qualquer pessoa que tenha sofrido mordida de morcego ou mantido contato com um animal suspeito deve procurar imediatamente uma unidade de saúde.

Equipes iniciam visitas em 271 propriedades

O Idaf informou que já iniciou as visitas de campo para investigação epidemiológica.

A área delimitada reúne aproximadamente 271 propriedades rurais, o que torna a operação ainda mais complexa.

Além da vacinação, as equipes realizarão inspeções nas propriedades, coleta de material para exames quando necessário e ações de controle do morcego hematófago, reduzindo sua população nas áreas afetadas, sem eliminar totalmente a espécie, que faz parte da fauna silvestre.

Vacina só protege quando aplicada corretamente

O médico-veterinário Renan Viana chamou atenção para outro problema observado frequentemente no campo: falhas no manejo da vacinação.

Ele explicou que animais vacinados pela primeira vez precisam obrigatoriamente receber uma dose de reforço após 30 dias. Também alertou que a vacina deve permanecer refrigerada durante todo o transporte até a propriedade, pois a perda da temperatura reduz significativamente sua eficácia.

A recomendação é que produtores busquem orientação de médicos-veterinários ou agentes vacinadores capacitados sempre que houver dúvidas sobre o procedimento.

Outros herbívoros também precisam ser vacinados

Embora o caso confirmado tenha ocorrido em um bovino, o Idaf lembra que a vacinação também é recomendada para outros herbívoros, como:
equinos;
búfalos;
ovinos;
caprinos.

Os cavalos, inclusive, costumam ser bastante vulneráveis aos ataques de morcegos hematófagos, principalmente por permanecerem durante longos períodos no mesmo local.

Prioridade é proteger vidas

Durante a entrevista, os veterinários reconheceram que um foco da doença pode causar prejuízos econômicos aos produtores. No entanto, destacaram que a principal preocupação é impedir que a raiva alcance seres humanos.

Eles pediram que a população receba bem as equipes do Idaf durante as visitas às propriedades e colabore com as ações de vigilância, investigação e vacinação.

Ao final da entrevista, também reforçaram a importância de que os municípios mantenham a vacinação de cães e gatos, outra medida fundamental para reduzir os riscos da doença na população.

Enquanto as ações de campo seguem em andamento, o Idaf orienta que qualquer suspeita seja comunicada imediatamente ao órgão. A rapidez na notificação é considerada essencial para interromper a circulação do vírus e proteger tanto os rebanhos quanto a saúde da população de Tarauacá.

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