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quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

TARAUACÁ: EM MEIO AS RUINAS, TEATRO JOSÉ POTYGUARA COMPLETA 89 ANOS


Hoje, o Teatro Municipal José Potyguara, de Tarauacá-AC, completa seus 89 anos. Inaugurado numa manhã chuvosa de 26 de janeiro de 1933, foi construído na gestão do prefeito José Florêncio da Cunha (avô de Djalma Batista), dono, também, em Tarauacá, do jornal A Reforma, que circulou de 1918 à 1934.

O projeto arquitetônico é do escritor José Potyguara, cuja peça, Razões do coração, foi a primeira encenada no teatro, três dias depois de sua inauguração. A peça contava, também, com números musicais do maestro Mozart Donizetti, que aí, em Tarauacá, compôs a melodia da letra do Hino Acreano, escrito pelo baiano Francisco Mangabeira.

Os acabamentos artísticos foram executados pelo artista português José Alves Maia, que faleceu em Manaus-AM. A construção é parte em madeira e parte em alvenaria. Foi a principal referência cultural, durante décadas, da pequena elite local, com seus recitais, peças, bailes, saraus, etc.

Diferentemente do que essas assessorias mal informadas e desses jornalistas incompetentes e preguiçosos do Ctrl+C e Ctrl+V, o Teatro José Potyguara não é o primeiro teatro construído do Acre. Dentre todos os teatros que atualmente existem no Estado, ele é o mais antigo, estando de pé desde 1933, como já assinalado.

Na década de 1930, Tarauacá não contava mais que dois mil habitantes. O Teatro destacava-se em toda a paisagem citadina, inclusive em relação à igreja, que costuma ter o prédio mais imponente.

O teatro surgiu a partir da própria necessidade de um espaço cultural de encontro para a comunidade local, que costumava realizar alguns de seus eventos, no palco do então Grupo Escolar João Ribeiro. Inicialmente a cobertura seria de palha, mas devido as críticas recebidas, decidiu-se pelas telhas.

É importante lembrar que, nesse período, o Acre, de modo geral, vivia um marasmo em sua economia, com fim do 1º ciclo da borracha, ainda antes da década de 1920, sem a efervescências dos seringais, que sobreviviam graças à exploração de madeira, couro animal e produtos extraídos da floresta, como a castanha, etc., e, claro, a borracha, em menor escala.

No último dia 12, deste mês, a prefeita de Tarauacá, recebeu uma equipe de servidores da Associação dos Municípios do Acre com a finalidade de elaborar um projeto de revitalização do Teatro. O dinheiro seria fruto de uma emenda parlamentar da atual senadora Mailza Gomes, orçada inicialmente em 600 mil, mas confirmada, ultimamente, no valor de 500 mil.

A última revitalização ocorreu em 1999, naquela época orçada em 150 mil. Ao longo do anos, em sucessivas administrações, o teatro, por não receber manutenção e os cuidados necessários, foi decaindo até chegar ao extremo do abandono e descaso, como ainda se encontra atualmente.

O teatro é tombado pelo patrimônio histórico do município, mas não é tombado pelo patrimônio histórico do Estado, que, também, ao longo de sua história, o tem ignorado, esse que é um repositório significativo de uma parte pouco conhecida da cultura acreana, por tantos personagens e histórias que encontraram, ali, o seu palco.

São oitenta e nove anos de um Teatro que ninguém sabe, ninguém vê e ninguém quer. Porém, por teimosia, resiste, Potyguara!

Texto de Isaac Melo
Professor, licenciado e especialista em filosofia pela PUC-PR, além de escritor e poeta.

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