A história e curiosidades da muralha da China

A imponente construção foi uma das principais rotas de comércio na Ásia. 

Dentre todas as construções existentes na Ásia, nenhuma atrai tanta atenção quanto a Grande Muralha da China, sendo a principal atração turística do país. Escolhida como Patrimônio Mundial da UNESCO em 1987, essa barreira é conhecida como changcheng (長城) em chinês, podendo ser traduzida livremente como “parede longa”.

Além de defender o território chinês, a construção foi responsável pelo controle de fronteiras e de comércio, vital no contato do mercado da China com o resto da Ásia e parte da África, sendo um dos principais destinos da chamada "Rota de Seda".

A muralha original consistia em uma unificação de muralhas menores, construídas desde o século VII a.C., em especial aquela construída durante a Dinastia Qin por volta de 220 a.C., a mando de Qin Shi Huang, primeiro imperador da China. Esse conjunto de muralhas foi reconstruído e reforçado ao longo dos anos, principalmente durante a dinastia Ming (ocorrida entre os anos 1368 até 1644), com a adição de diversas torres de guarda, tomando a forma que é conhecida atualmente.



A seção Mutianyu da muralha, localizada no distrito de Huairou, próximo à capital Pequim.

As primeiras sessões da muralha foram construídas com pedras e terra batida ao invés de tijolos, sendo mais suscetíveis à degradação causada pela chuva e por danos sofridos durante combates. Nem todas essas sessões foram reconstruídas ou unificadas ao longo do tempo, algo que dificulta o cálculo preciso de sua extensão. Dados preliminares de 2008 apontam que a construção teve aproximadamente 8.850 quilômetros de extensão – com 2.232 quilômetros protegidos por “defesas naturais”, como rios e penhascos. Por outro lado, de acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, uma pesquisa arqueológica de 2012 apontou que a muralha teria, na verdade, 21.196 quilômetros ao todo - isso corresponde a quase 193 mil campos de futebol do Estádio do Maracanã. Comparada à principal rodovia do Brasil, a BR-116 (conhecida como Régis Bittencourt no trecho Curitiba-São Paulo), a muralha possui extensão quase cinco vezes maior do que a via brasileira - que inicia próximo à divisa com o Uruguai e termina em Fortaleza, no Ceará.

Por não ser completamente unificada, é possível encontrar rastos arqueológicos desta estrutura em outros países além da China. Uma dessas sessões, erguida durante a era dos Estados Combatentes, inicia próximo a atual região de Pyongyang, capital da Coreia do Norte. Outras partes podem ser observadas no território da atual Mongólia e, por uma pequena distância, dentro do solo russo.

Apesar de imponente em sua arquitetura, a muralha não era impenetrável, sendo transposta em algumas ocasiões. Talvez a mais icônica delas ocorreu em 1644, quando o general Wu Sangui “traiu” a própria Dinastia Ming que fazia parte, ordenando a abertura de um dos portões da muralha para permitir a passagem do exército inimigo. Tal momento marcou os “momentos finais” da tomada da China pelos manchus, líderes da dinastia Qing, que comandaram o país até 1911.


A muralha defendeu o território chinês mesmo em terrenos extremos, como vales e montanhas.



O impacto cultural dessa construção é inestimável, com seu nome atraindo imediata atenção. Um exemplo deste alcance é a montadora Changcheng Motors, conhecida internacionalmente pelo seu nome traduzido, Great Wall Motors. Com mais de um milhão de veículos vendidos em 2015, a companhia opera em diversos países da Europa e África. Planos para a construção de uma fábrica no Brasil surgiram em 2013, mas a companhia adiou a ideia. Em 2018, a empresa firmou uma parceria com a gigante alemã BMW para fabricar Minis elétricos no território chinês.

Diferentemente do conhecimento popular, a Grande Muralha não pode ser vista a olho nu no espaço. A Agência Espacial Europeia “confirmou” o fato cometendo uma tremenda gafe: ao utilizar uma imagem de satélite para provar que a construção era de fato visível, erroneamente apontou para um rio extensivo próximo à região da muralha – a organização se retratou na semana seguinte. Apesar de imponente, essa estrutura vista do espaço é do tamanho de um fio de cabelo visto há quase três quilômetros de distância.

Sem dúvida, a Grande Muralha é uma construção de gigante valor histórico e de beleza incomparável.

Fonte: Editorial pecahoje.com.br)

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