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terça-feira, 19 de junho de 2018

Gari mantém escolinha de futsal com próprio salário há 5 anos no interior do AC

José Edvaldo, gari que mantém escolinha de futebol com próprio salário há 5 anos em Feijó (Foto: Arquivo pessoal)

José Edvaldo é gari no município de Feijó, distante 363 km de Rio Branco. Servidor da prefeitura, teve seus vencimentos de outubro de 2017 (o mais atual publicado no site da prefeitura de feijó até então) em R$ 1.011,57 líquido. A surpresa, é que mesmo com um salário que custearia apenas suas necessidades básicas, o servidor mantém há cinco anos uma escolinha de futsal que não cobra dos alunos e atende hoje uma média de 80 crianças.

Val, como é mais conhecido em sua cidade, trabalha com garotos e meninas entre oito e 13 anos de idade, e segundo o próprio, já perde as contas de quantos jovens já passaram pela 'Escolinha Play'.

– Hoje os jovens estão entrando muito cedo na criminalidade. Eu faço esse trabalho apenas com o objetivo de ver esses jovens fora das ruas, praticando esportes e de conseguir tirá-los do possível mundo do crime – explica.

José Edvaldo e alguns de seus alunos da Escolinha Play (Foto: Arquivo pessoal)
O professor de futsal voluntário disse que até o momento não conta com nenhuma ajuda ou apoio público ou privado. Recentemente fez um empréstimo de R$ 10 mil para comprar material como uniformes, bolas e outros equipamentos. O empréstimo foi parcelado em 10 anos e todos os meses uma parte do salário é descontada para pagar a parcela.

Val tem três filhos, mas paga pensão somente para o mais novo, fruto do último casamento, que segundo ele, acabou por conta do projeto.

– Eu não tinha mais tempo e investia dinheiro nesse projeto. Trabalho das 7h às 17h, e logo depois tem os treinos. Eu acho que ela não aguentou e acabou me traindo, depois me deixou – diz.

José Edvaldo e algumas alunas da equipe feminina da Escolinha Play (Foto: Arquivo pessoal)

As aulas na escolinha são três vezes por semana, mas quando o time tem algum amistoso programado, os treinos passam a ser diários.

– Viajamos sempre para jogar nas cidades vizinhas. Jogaremos em Tarauacá daqui alguns dias. Quando temos viagem, peço uma cota de R$ 10 por aluno para poder custear o transporte – comenta.

Sem apoio para o projeto esportivo e social, o professor lembra que passou por situações constrangedoras quando tentou pedir ajuda.

– Uma vez eu entrei em uma loja e na hora que o dono me viu, se escondeu, porque sabia que eu estava lá para pedir ajuda. Pediu para uma moça dizer que ele não estava, mas eu vi tudo. É isso que acontece quando eu vou atrás de ajuda aqui – lamenta.

globoesporte.com

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