Para Marina Silva, ex-candidata a presidente e líder da recém-oficializada Rede Sustentabilidade, a crise política chegou a um limite “inadmissível” e exige das lideranças “todo o rigor e senso de responsabilidade” para lidar com as denúncias feitas até agora.
“Não se pode aceitar em hipótese alguma um pacto de impunidade”, disse em entrevista exclusiva à BBC Brasil, em Tóquio, ao comentar o possível acordo entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o governo para evitar sua cassação em troca de barrar um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.
Cunha, acusado por delatores de receber dinheiro do esquema de corrupção na Petrobras, ficou em situação frágil após a informação de que ele e seus familiares tiveram contas bancárias bloqueadas na Suíça – o deputado vem evitando comentar o assunto e anteriormente negou manter contas no país europeu. Ele também nega negociações com o governo e a oposição.
Marina, terceira colocada na eleição do ano passado, passou sete dias no Japão a convite dos jornais Mainichi e São Paulo Shimbun, onde se reuniu com lideranças e ministrou palestras sobre sustentabilidade.
Em conversa com jornalistas, falou sobre a economia brasileira. “Temos uma crise econômica mundial que nos afeta também, mas boa parte desses problemas são na verdade causados por decisões políticas equivocadas”, disse.
“Para retomarmos os investimentos e o desenvolvimento teremos antes de resolver a crise política. Ela está sendo responsável por perdermos conquistas importantes na economia e na inclusão social, que até bem pouco tempo atrás achávamos que eram processos duradouros.”