No longínquo ano dessa foto, 1988, quando eu conquistei honrosos 55 votos para Vereador em Tarauacá, os donos da cidade tratavam os comunistas à ferro e fogo.
Era um tempo duro, quase de chumbo.
Mas, como um curso intensivo, esse tempo nos ensinou a maleabilidade e a tolerância. E a respeitar sempre o contraditório.
Como a água, podemos fluir para as várzeas, para não sermos sufocados pelos barrancos. Outras vezes, quando a conjuntura permite e o tempo exige, ela quebra os próprios barrancos.
Ser a chuva que fertiliza a plantação, tempestade que destrói, evapora e volta de novo como chuva, como medo ou como bênção.
Aquele tempo de guerra nos ensinou a ser como a água, que flui, destrói, alimenta, fertiliza, amedronta, muda de forma com o mesmo conteúdo.
Como a água, aprendemos a sobreviver, a nos desviar dos troncos no meio do rio, a ser leve e sólido.
Toda foto é um mundo para admirar, abraçar ou destruir.
Nesta eleição de 2014, como pré-candidato a deputado federal, quero aprender com as dificuldades de 1988, como se fosse uma disputada eleição de vereador.
E nunca vou jogar fora as minhas sandálias.
Moisés Diniz Lima
