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sábado, 29 de junho de 2013

O que significa a queda de Dilma

Primeiro: seria inimaginável que os protestos não tivessem impacto profundo sobre o prestígio da presidenta Dilma Rousseff.

O que o Datafolha trouxe – uma queda de 27 pontos na aprovação presidencial – era previsível, neste momento.

O que importa verdadeiramente é o que vem daqui pela frente, depois que for restabelecida a rotina.


Aí sim será possível averiguar o tamanho dos danos impostos a Dilma e sua candidatura.

Se o desconforto com Dilma perseverar, isso vai significar que as eleições de 2014 estarão sob uma enorme incógnita – elas que pareciam absolutamente definidas até algumas semanas atrás.

Trabalhemos com essa possibilidade, a mais provável neste momento.

A maior dúvida vai se instalar não na oposição – mas no próprio PT.

Continuar com Dilma ou recorrer a Lula?

Vai ser um processo sofrido, complexo, doloroso. Mas se Dilma aparecer cambaleante nas futuras pesquisas de intenções de voto – um conjunto delas, naturalmente, e num prazo razoável de tempo — a substituição fatalmente será feita.

Ainda que o próprio Lula relute, as circunstâncias o empurrarão para as eleições.

Mas ainda é uma incógnita se a perda de prestígio terá desdobramentos nas pesquisas de intenção de voto.

Por uma razão poderosa: nenhum candidato da oposição se beneficiou dos protestos.

Não se viu e nem se verá um único cartaz que clame por Aécio ou que evoque, de alguma forma, o PSDB.

Marina pode ser a exceção entre os candidatos declarados?

Pode. Mas não muito.

Ninguém nas ruas parecia remotamente interessado em Marina, mas ela não está tão associada ao tradicional universo político que é objeto de tamanha rejeição.

Marina parecia morta depois do episódio Feliciano, no qual ela atribuiu as críticas ao pastor principalmente ao fato de ele ser evangélico e não a suas posições homofóbicas.

Eu próprio escrevi que ela morrera abraçada a Feliciano, mas agora vale a pena observar as próximas pesquisas de intenção de voto.

Fora da política convencional, há o nome de Joaquim Barbosa.

Quando as manifestações foram usurpadas por conservadores, JB apareceu forte numa pesquisa do Datafolha.

Mas era previsível: se você vai a um restaurante caro e faz uma pesquisa, JB vai ficar em primeiro lugar e Aécio terá menções expressivas.

Mas o Brasil não é um restaurante caro.

JB é um heroi – ou uma esperança — da mesma tribo conservadora que votou em Serra em 2006 e em 2010.

A imagem consolidada de representante dos interesses do chamado 1% é mortal para as pretensões de JB ou de quem deseje vê-lo no Planalto.

Como a mídia é a voz do 1%, vai-se falar muito de JB nos próximos meses na tentativa de inflá-lo.

Mas a questão essencial, para 2014, residirá dentro da própria situação: Dilma ou Lula?

A resposta virá da voz rouca das ruas, nas pesquisas de intenção de voto pós-protestos.


Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Um comentário:

cabo carmo disse...

NOSSA PRESIDENTA TEM MUITO À SE PREOCUPAR POIS NÃO É FÁCIL CAIR 27 PONTO EM MENOS DE 20 DIAS