Sobreviventes do Tauari são expulsos da região e passam fome em Rio Branco

Filhos de vítimas da Chacina do Tauari (a 100 quilômetros de Tarauacá) estão passando fome em Rio Branco e pedem ao Governo do Estado que faça alguma coisa por eles.

O mesmo recado segue para o deputado estadual Moisés Diniz (PCdoB) e para o defensor Público Valdir Perazzo, que escreveram livros sobre a tragédia do Tauari.

O grupo, que foi expulso da região em maio deste ano, está vivendo num pequeno barraco no bairro Belo Jardim 2. No único colchão, ficam as crianças. Os adultos dormem no chão. Está faltando alimento também.

São onze pessoas, entre elas cinco crianças que representam mais uma etapa de sofrimento da família França.

Em 1998, o patriarca da família, José Lima de França, o “Zequinha”, foi morto numa chacina que ficou conhecida como os “monstros do Tauari”.

O casal Doca e Totó disseram que estavam ungidos por Deus e deveriam acabar com todo o pecado da comunidade. Em poucas horas, conseguiram vários adeptos. Quem não concordou, foi surrado ou morto.

Ao final, seis pessoas perderam a vida, entre elas três crianças assassinadas pelos próprios pais.

Maria das Dores França tinha quatro anos de idade quando viu o pai ser morto na sua frente.

Ele recebeu várias pauladas, teve o corpo cortado e a carne devorada por urubus. Quatorze anos depois da tragédia, ela ainda chora quando lembra.

Depois das mortes, Maria das Dores foi trazida para Rio Branco, onde ficou na casa de várias famílias. Há seis anos, ela encontrou Francisco Souza e constituíram família.

Agora, ela ajuda os irmãos que foram expulsos do Tauari pelos índios, e por um suposto proprietário da área. O que eles não entendem é como apareceu um dono de tão extensa área de floresta.

O grupo está à procura de emprego, mas ainda tenta conseguir documentos. Eles viviam na mata e não se preocupavam com registros.

Enquanto não conseguem trabalho, pedem ajuda, principalmente de comida para as crianças.

Maria Cirley França era a filha mais velha de “Zequinha”. Disse que quase foi morta pelos fanáticos liderados por Totó, e lembra que depois daquele ano, sua vida sempre foi de sofrimento, e parece que não tem fim.

Procurado pela reportagem da TV Gazeta, o deputado Moisés Diniz e o defensor Valdir Perazzo não foram encontrados para falar sobre o assunto.

A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria de Assistência Social, garantiu que vai ajudar as famílias, começando por fazer um levantamento da situação delas. “Vamos verificar como eles estão neste momento ajudá-los”, disse o secretário Antônio Torres.

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