Basa Caixa querem renegociar dívidas de servidores públicos

De acordo com o Banco Central, os servidores só podem comprometer 30% de seus salários com descontos em folha de pagamento



Representantes de sindicatos e dos bancos discutiram propostas de renegociação das dívidas (Foto: Odair Leal)



Depois do Banco do Brasil ter anunciado há cerca de duas semanas que iria comprar as dívidas dos servidores públicos com financeiras e renegociar o pagamento destas, outros bancos manifestaram interesse em fazer o mesmo. Nesta segunda, 16, os superintendentes da Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia se reuniram com o deputado Moisés Diniz e representantes de sindicatos para apresentar propostas.

Um dos principais articuladores da idéia de instituições bancárias assumirem as dívidas dos servidores públicos, Diniz, comemorou o fato de outros bancos terem se interessado pela  proposta. Inicialmente ele havia procurado apenas o Banco do Brasil por ser o mais antigo, deter a conta da maioria dos servidores públicos do Estado, dispor de uma grande rede de atendimento e ter uma função social.
De acordo com o Banco Central, os servidores só podem comprometer 30% de seus salários com descontos em folha de pagamento. A grande reclamação dos clientes das financeiras é a alta taxa de juros de mais de 2% ao mês já que até então não havia concorrência. Para o representante da Força Sindical, Gracindo Saraiva, com a inclusão dos bancos no negócio, só quem tem a ganhar são os trabalhadores. "A concorrência entre os bancos será boa porque reduzirá as taxas de juros".
Taxas
Para Diniz, a questão do endividamento dos servidores públicos com as financeiras surgiu por causa da burocracia dos bancos para permitir empréstimos, um problema que começa a ser resolvido. "Os bancos públicos travaram muito o acesso dos funcionários públicos que acabaram tendo como caminho mais fácil, as financeiras e foram em massa fazer empréstimos. Propus que o Banco do Brasil assumisse essas dívidas cobrando juros menores, já que é banco público tem que priorizar o social. Então ele aceitou o desafio e se dispôs a comprar as dívidas e renegociá-las com juros entre 1,78 à 1,95%".
O parlamentar acredita que com a entrada de outros bancos estabeleceu-se uma "disputa sadia", que irá beneficiar os servidores. "Se antes os servidores estavam desamparados, à mercê de juros abusivos, agora vemos uma concorrência entre os bancos para ver quem oferece os juros mais baixos para os funcionários". No evento desta segunda, o superintendente da Caixa anunciou que a agência já está autorizada a comprar e renegociar as dívidas dos servidores com juros que variam de 1,70 a 1,79% ao mês.
Marivaldo Melo, superintendente do Banco da Amazônia, disse que já a partir da próxima semana irá assinar convênio com sindicatos firmando o mesmo tipo de compromisso e com taxa de juros iguais. "Os funcionários já começaram a ganhar e sem eles tão endividados o Estado também ganha, já que passa a circular mais dinheiro", reiterou Moisés Diniz.
Bancos e Financeiras
O parlamentar fez ainda questão de esclarecer que não haverá prejuízos para os bancos. "As pessoas mais leigas podem não entender como um banco pode comprar uma dívida com juros de 2% e renegociá-la com juros de 1,70% por exemplo. Mas o que acontece é que os bancos captam recursos da sociedade via poupança por exemplo a menos de 1% e empresta a 1,7%, é daí que vem o lucro.
Quanto à sobrevivência das financeiras, o parlamentar defendeu o estabelecimento de um novo equilíbrio. "Elas vão fazer uma disputa de mercado. O banco, ao travar o acesso, abriu um espaço muito grande para as financeiras, agora é hora de reequilibrar o jogo. As financeiras vão ter também de baixar seus juros. Esse debate é importante para o Acre porque diferente do eixo Rio - São Paulo, aqui existe uma quantidade maior de funcionários públicos em relação à população. Então, esses empréstimos consignados acabam sendo mais valiosos que encontrar uma mina de ouro".

o rio branco net.
Raimundo Accioly

Cidadão comum da cidade de Tarauacá no Estado do Acre, funcionário público, militante do movimento social, Radio Jornalista, roqueiro e professor. Entre em Contato: accioly_ne@yahoo.com.br acciolygomes@bol.com.br 68-99775176

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