Eleitos os 23 representantes acreanos para a etapa nacional
por Tatiana Campos (Agência-Acre)
O coordenador da Conferência no Estado, Itaan Arruda, avaliou o processo como legítimo mas reconheceu que houve um erro de entendimento a respeito do Regimento Interno da Conferência que acabou trazendo discordâncias na condução dos trabalhos. "Mas eu, enquanto diretor deste processo, tinha a obrigação de fazer valer as regras do jogo", observou.
A conferência foi chamada pelo presidente Lula com o intuito de criar um marco regulatório para a política nacional de comunicação. Lula foi o primeiro presidente a se propor a discutir as leis de comunicação de forma democrática, ouvindo todos os setores da sociedade em todos os estados brasileiros.
"Finalmente abriram o campo do diálogo entre a sociedade civil e o governo e isso vai desencadear um verdadeiro processo de construção coletiva nas políticas públicas de comunicação. A conferência foi um momento importante e único, com discussões maduras e essenciais para um processo democrático", comentou o presidente da Fundação de Cultura Garibaldi Brasil, Marcus Vinicius.
Para o representante da ABCCOM, Paulo Miranda, que participou da conferência acreana, o processo no Acre foi "surpreendentemente maduro. Eu vi aqui acadêmicos, professores, jornalistas, empresários, indígenas, sindicalistas. Todos discutindo problemas de comunicação, desde questões muito locais, como rádio pública no interior do estado, até questões macro, como os big conglomerados. Para quem não acreditava que a sociedade civil tinha condições de discutir a comunicação brasileira, o Acre deu um grande exemplo", comentou.
As propostas da ABCCOM, assim como as da Abraço, foram incorporadas integralmente ao texto de propostas acreanas a serem levadas para a Conferência Nacional. Entre as mais de 150 propostas finais apresentadas pelos grupos acreanos para a conferência nacional, está o da criação do Plano Nacional de Comunicação, ampliação do acesso aos serviços de Internet, apoio às produções independentes, entre outros.
A escolha dos delegados aconteceu por volta de 23 horas. O Acre terá 23 representantes em Brasília, entre acadêmicos, estudantes, sindicalistas, movimentos sociais organizados, empresários, poder público e minorias.
Muitas pessoas estiveram envolvidas na mobilização e organização da 1ª Conferência Estadual de Comunicação, que marca um avanço nas discussões sobre o acesso à informação e ao conhecimento no Brasil (Foto: Gleilson Miranda/Secom)