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terça-feira, 15 de abril de 2008

DEU NO PÁGINA 20


Tarauacá pronta para crescer com a BR


Ex-vereador Chagas Batista aponta as potencialidades para seu município ser um dos mais prósperos do Acre



Tarauacá luta, quer e está preparada para crescer social e economicamente a partir da conclusão da pavimentação da BR-364. Quem garante isso é o ex-vereador Chagas Batista, uma das figuras mais populares do município mais conhecido como terra do abacaxi gigante.
Ex-vereador por três mandatos pelo PCdoB e candidato derrotado a prefeito nas eleições de 2004 por apenas 440 votos, num universo de 15 mil eleitores, Chagas Batista conhece a sua terra natal na ponta do lápis e nas muitas viagens que fez a pé, a cavalo e em barco pelos muitos rios da região, detentora de uma das maiores bacias hidrográficas do mundo.
Da cidade até o rio Acuraua, região que ele diz ser a mais abandonada que já visitou no município, Chagas Batista testemunha que todos os tarauacaenses estão ansiosos e muito esperançosos pela chegada da integração que vai representar a conclusão do asfalto da rodovia, um sonho muito antigo e acalentado por todo o povo do Vale do Juruá.

Prevista pelo governo do estado para ser concluída até 2010, a pavimentação da rodovia federal que corta o município também já contamina, segundo Batista, os 10 mil índios, seringueiros, pequenos agricultores e outros povos da floresta que habitam os rios Tarauacá, Murú, Humaitá, Acuraua, Gregório, Tauary e Liberdade.
Antes mesmo de ser concluída, o asfalto da BR-364, segundo lembra o ex-vereador, já integra entre si as populações da maioria do Vale do Juruá, começando em Feijó, passando por Tarauacá e indo até Cruzeiro do Sul, considerada a capital da região mais preservada do Acre em termos de floresta.
Essa integração “interna”, segundo Chagas Batista, já permitiu a Tarauacá, por exemplo, exportar quase a metade da carne bovina consumida hoje pela população de Cruzeiro do Sul, de onde os tarauacaenses já se abastecem regularmente de combustíveis, um dos maiores problemas causados no passado pelo isolamento do município.

“Os postos daqui precisavam abastecer no inverno das águas para passar todo o verão consumindo o combustível. Quando faltava, tinha que ficar carregando o combustível em canoinhas no rio raso”, lembra Chagas Batista, durante entrevista por telefone ao Página 20, em que discorreu como seu município, de 32.171 habitantes e 15.553 quilômetros quadrados, segundo dados do IBGE, está se preparando para se integrar a Rio Branco e ao restante do país e do mundo.
Segundo Batista, se for perguntado ao cidadão mais pessimista de seu município ele vai dizer que acredita, sim, na integração trazida pela BR. “Pela primeira vez na história da nossa região, não há um só cidadão que não acredite que a conclusão e integração do Juruá não seja uma realidade”, assinala o ex-vereador.
Para Chagas Batista, a população de Tarauacá não só acredita, como está preparada para se integrar às outras regiões do estado. Ele diz que está fazendo parte de um grande grupo de pessoas que vêm discutindo sobre o que Tarauacá fará para crescer econômica e socialmente com a pavimentação da rodovia. “Estamos debatendo e listando as áreas em que Tarauacá pode crescer a partir da integração de nossa rodovia. Todos estão interessados numa Tarauacá justa e desenvolvida”, assinala Batista.
Muitas riquezas para ser exploradas
Segundo o ex-vereador Chagas Batista, Tarauacá pode crescer a partir do fortalecimento do extrativismo das riquezas naturais existentes em sua floresta, na produção de frutas regionais, e não só abacaxi, na produção de carne e produtos agrícola e no ecoturismo, entre outras áreas de alto potencial econômico do município.

Os debates do grupo, segundo Chagas Batista, culminaram com a realização, na semana passada, do I Fórum Econômico e Social de Tarauacá, destinado justamente para as pessoas discutirem as potencialidades econômicas do município. Debatendo em cima do tema “Novas idéias para cuidar de Tarauacá”, o primeiro fórum contou com a participação de pessoas de todos os setores da sociedade tarauacaense, inclusive de agentes governamentais.
“O fórum teve por objetivo definir propostas de políticas públicas e de um programa de governo para nosso município”, diz Batista, ao acrescentar que as propostas serão colocadas em prática através de uma gestão democrática e popular jamais vista no município.

O resultado do fórum, aliás, será usado como plataforma política para a Frente Popular disputar as eleições municípios deste ano. Ainda sem candidato a prefeito, a frente envolve lideranças vinculadas ao PT, PCdoB, PSB, PDT, PV, PSDB, PT do B, PR e outros partidos.
“Não definimos ainda o candidato, pois o que estamos fazendo nesse momento é unir as pessoas, os partidos, é discutir o projeto de governo para Tarauacá. Meu nome está colocado nessa discussão, assim como tem nome do PT”, revela Batista, que semana passada ligou para o senador Tião Viana, uma das maiores lideranças petistas do estado, para colocá-lo a par da movimentação política que está sendo dando em Tarauacá para transformá-lo num dos municípios mais prósperos do ponto de visto econômico e social do Acre.

A proposta de um governo democrático e popular para Tarauacá, segundo o ex-vereador, terá como meta fazer crescer a geração de emprego e renda no município, tirando-o da condição de região detentora dos piores indicadores sociais do Brasil. Em termos de mortalidade infantil, lembra Chagas Batista, Tarauacá está entre os 20 municípios brasileiros com os índices mais elevados.

Hoje com 46 anos, casado, pai de três filhos, o tarauacaense Chagas Batista é originário do movimento sindical, tendo contribuído na década de 80 para soerguer o sindicato dos trabalhadores rurais. Militante do partido que hoje preside desde 1985, Chagas Batista diz estar consciente de ter chegada a hora de Tarauacá dar a grande virada rumo ao progresso social e econômico.

“Está na hora de dar uma vida nova para as mulheres de Tarauacá que estão rodeadas de crianças barrigudas, anêmicas, a espera do próximo filho que não demora a nascer”, afirma Chagas Batista, ao acrescentar que no meio rural do município os homens, também fragilizados, não dispõem de apoio para plantar, colher, transportar e comercializar a sua produção. “A juventude de nosso município, sem meios de diversão e esportes para extravasar suas energias e sem incentivo para produzir, encontra no alcoolismo, muitas vezes, a oportunidade para desabafar suas máguas”, diz Batista.

O movimento por uma Tarauacá desenvolvida social e economicamente, segundo Chagas Batista, terá também por objetivo varrer para sempre do município o acúmulo de bens por parte dos dirigentes municipais, que enriquecem às custas do erário público. Enquanto o município ostenta os piores índices sociais do país, seu atual prefeito, de acordo com Batista, assumiu o cargo declarando ter uma motocicleta usada e uma casa em construção e hoje já disporia, entre os seus bens, de três fazendas de gado no município.

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