Halida Prado participa do Podcast Encontro Marcado e fala sobre trajetória, trabalho social e propostas para a Câmara Federal


Policial militar e professora tarauacaense, candidata a deputada federal, destacou durante entrevista sua atuação comunitária e apresentou como prioridades saúde, políticas para mulheres, segurança pública e apoio às famílias de pessoas com autismo

A policial militar, professora e candidata a deputada federal Halida Prado participou de uma edição especial do Podcast Encontro Marcado, apresentado pelo comunicador Raimundo Accioly, em Tarauacá. A entrevista integrou a sequência de conversas promovidas pelo programa com candidatos tarauacaenses e outros nomes que disputam as eleições de 2026.

Durante a conversa, Halida falou sobre sua história de vida, formação profissional, ingresso na Polícia Militar, atuação em projetos sociais, incentivo à atividade física e a decisão de entrar para a política. Também apresentou as principais pautas que pretende defender caso seja eleita deputada federal.

Tarauacaense, professora e policial militar

Ao contar sua trajetória, Halida relembrou suas origens em Tarauacá e afirmou ser filha única. Segundo a candidata, sua família enfrentou dificuldades financeiras quando ela era criança, antes de alcançar melhores condições.

Na área acadêmica, contou que sua primeira graduação foi em Economia pela Universidade Federal do Acre (UFAC). Posteriormente, diante das oportunidades existentes na área educacional, formou-se em Letras/Português e atuou durante seis anos na educação.

A mudança para a Polícia Militar ocorreu há cerca de 15 anos. Halida relatou que ingressou na corporação aos 30 anos e enfrentou um ambiente predominantemente masculino: segundo ela, sua turma tinha 138 homens e apenas uma mulher — ela própria.

“Foi muito desafiador, mas foi muito gratificante. Eu sou muito honrada de fazer parte da Polícia Militar”, declarou durante a entrevista.

Trabalho social marcou trajetória na Polícia Militar

Embora inicialmente desejasse atuar diretamente nas viaturas, Halida contou que, logo ao ingressar na corporação, foi encaminhada para uma formação no Rio de Janeiro voltada ao trabalho preventivo com crianças.

A partir daí, passou a desenvolver atividades de prevenção ao uso de álcool e outras drogas, aproximando a Polícia Militar das escolas e das famílias. Na entrevista, relembrou especialmente sua participação no PROERD e na Guarda Mirim, além da parceria com o Major Abreu em ações sociais e de comunicação.

Segundo Halida, foi justamente nesse contato direto com crianças e famílias que encontrou uma área de atuação com a qual passou a se identificar profundamente.

Atividade física e trabalho com mulheres

Outra parte importante da trajetória apresentada no programa foi sua atuação na área da atividade física.

Halida contou que buscou formação específica para trabalhar profissionalmente no setor e enfrentava constantes viagens entre Tarauacá e Rio Branco para estudar. Ela destacou que passou a utilizar também as redes sociais para incentivar outras pessoas, especialmente mulheres, à prática de exercícios e à adoção de hábitos mais saudáveis.

Já em Rio Branco, essa experiência foi incorporada ao policiamento comunitário. Halida relatou que recebeu a missão de desenvolver uma atividade direcionada às mulheres da Cidade do Povo e decidiu criar um projeto de treinamento funcional.

Segundo seu relato, a iniciativa posteriormente alcançou Cidade do Povo, Calafate, Taquari e Caladinho. A candidata afirmou que cada um dos quatro polos atende atualmente cerca de 500 mulheres e que aproximadamente 3 mil já passaram pelo projeto. Esses números foram apresentados pela própria entrevistada durante o programa.

Violência contra a mulher entre as principais preocupações

A experiência profissional de Halida levou a entrevista para um dos temas mais delicados do programa: a violência doméstica e o feminicídio.

A policial relatou situações que acompanhou durante o serviço e defendeu que o enfrentamento da violência não pode ficar restrito à atuação policial depois da agressão.

Entre suas propostas, apresentou a criação de pontos de acolhimento mais próximos das comunidades, onde mulheres em situação de vulnerabilidade possam receber informações e atendimento profissional, inclusive acompanhamento psicológico. Para ela, muitas vítimas permanecem dependentes financeira e emocionalmente dos agressores e enfrentam dificuldades até mesmo para chegar aos serviços públicos existentes.

Halida também defendeu maior rigor legal contra agressores. A candidata relacionou sua proposta de atuação política à experiência acumulada como policial e no atendimento comunitário.


Hospital de Tarauacá aparece como prioridade

Ao ser questionada sobre quais seriam suas principais bandeiras caso conquistasse uma cadeira na Câmara dos Deputados, Halida colocou entre as prioridades a estruturação do hospital de Tarauacá.

Segundo ela, o município necessita ampliar a presença de especialistas e sua capacidade de atendimento, reduzindo a necessidade de encaminhamento de pacientes para outros centros.

Durante a entrevista, foram citados exemplos como pacientes que precisam viajar para realizar hemodiálise e pessoas que necessitam de consultas e exames especializados, como atendimento oftalmológico.

“A questão do hospital, para mim, é prioridade”, afirmou.

Políticas para mulheres e valorização dos policiais

Halida também afirmou que pretende ampliar o trabalho que já desenvolve com mulheres de baixa renda. A proposta apresentada durante o programa envolve atendimento multidisciplinar, com profissionais como psicólogos, nutricionistas e profissionais de atividade física, buscando levar iniciativas semelhantes para outros municípios do Acre, incluindo Tarauacá.

Na segurança pública, a candidata defendeu melhorias na estrutura de trabalho e valorização dos policiais. Entre os pontos mencionados estão questões salariais, progressão profissional, equipamentos e, especialmente, assistência psicológica aos integrantes das forças de segurança.

Segundo Halida, a rotina e a carga de trabalho têm impactos sobre a saúde mental dos profissionais, o que justificaria a criação ou ampliação de uma rede de acompanhamento.

Atenção às pessoas com autismo e suas famílias

Outra bandeira apresentada foi o atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o suporte às suas famílias.

Halida destacou particularmente a situação de mães que acumulam responsabilidades de cuidado e, em alguns casos, criam seus filhos sem uma rede familiar adequada. Sua proposta é fortalecer uma rede de atendimento que contemple tanto a pessoa com autismo quanto seus familiares e cuidadores.

Entrada na política

Ao explicar por que decidiu disputar uma vaga de deputada federal, Halida afirmou que sua aproximação com a política surgiu principalmente da experiência adquirida no trabalho comunitário.

Ela disse que o contato com mulheres em situação de vulnerabilidade, vítimas de violência e moradores de bairros periféricos ampliou sua percepção sobre problemas sociais que poderiam ser enfrentados também por meio de políticas públicas. A candidata afirmou ainda que a campanha tem permitido conhecer realidades que, segundo ela, nem mesmo sua experiência na Polícia Militar havia mostrado completamente.

Durante o programa, Halida também falou sobre suas alianças e apoios políticos nesta eleição, deixando claro que essas manifestações representam suas escolhas pessoais dentro da disputa eleitoral.

Encontro Marcado encerra série antes das eleições

A entrevista com Halida Prado encerrou a sequência de entrevistas do Encontro Marcado antes da votação. Raimundo Accioly destacou que o programa buscou abrir espaço principalmente para candidatos tarauacaenses apresentarem suas trajetórias e propostas diretamente à população.

O Podcast Encontro Marcado volta em edição especial para acompanhar a apuração das eleições, com informações e resultados ao longo da contagem dos votos.

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