Tarauacaense radicado em Rio Branco, professor e consultor político participou do Podcast Encontro Marcado e falou sobre sua história de vida, experiência em campanhas eleitorais, representação política de Tarauacá e os cenários que projeta para as disputas de 2026 no Acre
O Podcast Encontro Marcado, apresentado por Raimundo Accioly, recebeu nesta quinta-feira, 27 de agosto, o professor e consultor político Carlos Coelho, tarauacaense radicado em Rio Branco e profissional com longa experiência nos bastidores da política acreana.
Em uma conversa marcada por lembranças de Tarauacá e análises sobre as Eleições 2026, Coelho falou sobre sua origem humilde, formação profissional, atuação na Assembleia Legislativa, trabalho como consultor político e sua leitura das disputas para o Governo do Acre, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa.
De Tarauacá para uma trajetória de 44 anos na Assembleia
Carlos Coelho fez questão de começar a entrevista reafirmando o orgulho de ser tarauacaense. Filho da professora Almira Coelho, que segundo ele foi a segunda vereadora do município, recordou uma infância de dificuldades e trabalho.
Contou que a família chegou a morar em casa de paxiúba coberta de palha e que, ainda jovem, vendia verduras, farinha, banana e carvão pelas ruas de Tarauacá para ajudar em casa.
Aos 15 anos, mudou-se para Rio Branco após o adoecimento do pai. Na capital, continuou os estudos, cursou Pedagogia e Direito e iniciou, aos 19 anos, sua trajetória profissional na Assembleia Legislativa do Acre.
Coelho afirmou que permaneceu 44 anos como servidor da Aleac, começando como auxiliar de serviços gerais e chegando ao cargo de secretário-executivo. Também atuou como professor nas áreas de Sociologia, Educação e Psicologia.
Consultoria política virou atividade familiar
Em 2011, Carlos Coelho criou com sua família a Consultoria Política Coelho e Farias. Especializado em planejamento estratégico eleitoral, ele explicou que a atividade envolve muito mais que divulgação de candidatos: passa pelo planejamento da campanha, orientação política e acompanhamento de mandatos.
Durante a entrevista, afirmou ter realizado cursos específicos de consultoria política e formação como especialista em Poder Legislativo pela PUC Minas.
Segundo Coelho, a consultoria alcançou aproximadamente 87% de êxito nos trabalhos realizados ao longo de sua trajetória. O percentual foi apresentado pelo próprio entrevistado e deve ser entendido como dado declarado por ele durante o podcast.
Quatro eleições municipais consecutivas em Tarauacá
Um dos capítulos destacados por Coelho foi sua participação nas eleições municipais de Tarauacá.
Ele relembrou sua atuação na campanha vitoriosa de Rodrigo Damasceno em 2012, posteriormente na eleição de Marilete Vitorino em 2016, na vitória de Maria Lucinéia em 2020 e novamente com Rodrigo em 2024.
Na eleição de 2024, também trabalhou em Feijó e afirmou ter participado das duas campanhas municipais vitoriosas.
Coelho também recordou os 29 anos de trabalho político ao lado do senador Sérgio Petecão, período que, segundo ele, envolveu campanhas para deputado estadual, federal e Senado. O ciclo terminou em 2024. Atualmente, informou que trabalha na consultoria e coordenação da campanha de reeleição do senador Márcio Bittar.
Tarauacá pode voltar a ter representantes?
Ao ser questionado por Raimundo Accioly sobre as possibilidades de Tarauacá nas eleições proporcionais de 2026, Carlos Coelho chamou atenção para um elemento fundamental do sistema eleitoral brasileiro: não basta analisar apenas a votação individual de um candidato; o desempenho do partido ou federação também influencia diretamente a eleição.
Por isso, segundo sua análise, candidatos com votação numericamente menor podem conquistar uma cadeira enquanto outros, com votação superior, podem ficar de fora, dependendo do desempenho de suas respectivas chapas.
Coelho considera que Tarauacá tem condições de conquistar representação, mas destacou a quantidade de candidaturas e fez um apelo para que o eleitor também considere nomes ligados ao município.
Na avaliação do consultor, eleger parlamentares tarauacaenses aumenta a possibilidade de o município disputar recursos e emendas destinados a obras e serviços públicos.
Ele citou como exemplo o ex-deputado federal Jesus Sérgio, a quem atribuiu mais de R$ 130 milhões destinados a Tarauacá durante sua atuação parlamentar, e lembrou a trajetória da atual deputada federal Socorro Neri, também natural do município.
Disputa pelo Senado
Ao entrar na análise das eleições majoritárias, Coelho apresentou sua leitura da corrida pelas duas vagas ao Senado.
Como profissional atualmente ligado à campanha de Márcio Bittar, ele defendeu o desempenho do senador e destacou sua capacidade de articulação para obtenção de recursos federais destinados ao Acre.
Coelho também analisou as possíveis candidaturas de Gladson Cameli, Jorge Viana e Mara Rocha, traçando cenários diferentes conforme a composição definitiva da disputa.
Aqui cabe uma distinção importante: essas projeções representam a avaliação política de Carlos Coelho durante a entrevista, e não uma previsão de resultado eleitoral.
Câmara Federal ainda tem cenário aberto
Para deputado federal, o consultor considera prematuro apontar quem deverá ocupar as oito cadeiras destinadas ao Acre.
Ele avaliou a composição de diferentes partidos e federações e explicou novamente a importância do desempenho coletivo das chapas para atingir os requisitos do sistema proporcional.
Na opinião de Coelho, o eleitor normalmente consolida primeiro sua escolha para deputado estadual, enquanto a definição do voto para deputado federal tende a ocorrer mais adiante durante a campanha.
Por isso, considera que o quadro deverá ficar mais claro com o avanço efetivo do período eleitoral.
Governo do Acre
Na disputa pelo governo, Carlos Coelho apresentou uma avaliação favorável à candidatura da governadora Mailza Assis e destacou a formação do grupo político que a apoia.
Segundo sua análise, Mailza vem crescendo politicamente e reúne condições competitivas para a eleição. Ele também mencionou outros nomes da disputa e apresentou hipóteses tanto de vitória em primeiro turno quanto de eventual segundo turno.
Mais uma vez, trata-se da análise pessoal e profissional do entrevistado, feita dentro de um cenário eleitoral ainda sujeito a mudanças.
Candidato? Coelho diz preferir os bastidores
Raimundo Accioly também perguntou se, depois de tantos anos ajudando a eleger outras pessoas, Carlos Coelho teria vontade de disputar pessoalmente um mandato.
O consultor admitiu que já considerou essa possibilidade e afirmou que poderia avaliar uma candidatura proporcional, como deputado estadual ou federal, ou mesmo uma suplência ao Senado.
Para prefeito, entretanto, disse preferir continuar trabalhando com consultoria política.
Aos 62 anos, Coelho afirmou que encontra satisfação em contribuir com projetos políticos e posteriormente acompanhar os resultados das administrações que ajudou eleitoralmente.
Ao falar de Tarauacá, citou obras e eventos recentes e disse sentir satisfação por ter participado profissionalmente da campanha que levou Rodrigo Damasceno novamente à prefeitura.
Tarauacá continua presente
Apesar de morar há décadas em Rio Branco, Carlos Coelho demonstrou durante toda a entrevista forte ligação com Tarauacá.
Recordou os lugares onde viveu, as dificuldades da infância, familiares e amigos e aproveitou para dirigir uma mensagem aos jovens do município sobre estudo e busca por oportunidades.
De menino que vendia farinha, banana, verduras e carvão pelas ruas da cidade a servidor com quatro décadas de atuação na Assembleia e consultor presente em algumas das principais campanhas políticas do Acre, Coelho resumiu sua trajetória como resultado de trabalho, estudo e persistência.
Sua participação no Encontro Marcado acabou indo além das projeções para outubro. Foi também um reencontro com suas próprias origens — e uma demonstração de como alguém que deixou Tarauacá aos 15 anos continuou, décadas depois, diretamente envolvido com as decisões políticas do município e do Acre
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