Por Edson Menezes – Professor e Economista
A geração de emprego e renda precisa ocupar posição central no debate sobre o desenvolvimento econômico e social de Tarauacá. Em um município onde centenas de jovens concluem o ensino médio todos os anos, discutir oportunidades de trabalho não pode se limitar ao período eleitoral nem depender exclusivamente de iniciativas pontuais. É necessário pensar em políticas permanentes, capazes de aproximar formação, atividade econômica e mercado de trabalho.
A ausência de políticas públicas desenvolvimentistas, econômicas e sociais suficientemente abrangentes para promover a geração de empregos, especialmente para a juventude na iniciativa privada, é uma questão que merece atenção.
Esse debate se torna ainda mais necessário em períodos eleitorais, quando milhões de reais são movimentados nas campanhas em todo o país. A cada dois anos, o Brasil vivencia eleições municipais ou gerais, mobilizando partidos, candidatos e eleitores. Entretanto, encerrado o processo eleitoral, permanecem problemas estruturais que afetam diretamente a vida da população. Entre eles está a dificuldade de acesso ao primeiro emprego.
A realidade dos jovens de Tarauacá
Recentemente, Tarauacá recebeu uma emenda parlamentar destinada ao fortalecimento de uma política de primeiro emprego instituída anteriormente por meio de Lei Municipal. A iniciativa é válida, importante e merece reconhecimento.
Entretanto, sua abrangência ainda é pequena diante do tamanho do desafio.
Tomando como referência os números que apresento neste artigo, aproximadamente 300 estudantes concluem anualmente o ensino médio em três importantes instituições de ensino do município: IFAC, Escola João Ribeiro e Escola Djalma Batista.
Se um programa consegue contemplar apenas 10% desse universo, estamos falando de aproximadamente 30 jovens atendidos e 270 que permanecem sem acesso à oportunidade.
É justamente sobre esses 90% que precisamos conversar.
Qual será o destino desses jovens? Quantos continuarão dependendo financeiramente de suas famílias? Quantos precisarão deixar Tarauacá em busca de oportunidades? E quantos poderão ficar expostos a situações de vulnerabilidade social justamente pela ausência de perspectivas de trabalho e renda?
Não se trata de diminuir a importância de quem foi contemplado. Pelo contrário: se uma política beneficia 30 jovens, ela demonstra que existe um caminho possível. O desafio é encontrar mecanismos para ampliar essa oportunidade para centenas de outros.
Educação e desenvolvimento precisam caminhar juntos
Falo também a partir da minha própria experiência.
Sou resultado de uma política pública de expansão do ensino superior implementada durante o governo de Jorge Viana, que possibilitou a oferta do curso de Bacharelado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Acre (UFAC) nos municípios.
Aquela oportunidade mudou minha trajetória e fortaleceu minha compreensão de que educação, emprego, renda e desenvolvimento econômico estão diretamente relacionados.
Desde que ingressei na UFAC, passei a estudar e defender alternativas para o desenvolvimento econômico e social de Tarauacá. Entre as diversas variáveis que compõem esse processo, considero fundamental a geração de oportunidades de trabalho, principalmente para nossa juventude.
Não basta formar estudantes se, depois da conclusão dos estudos, eles encontram um mercado incapaz de absorvê-los.
Da mesma maneira, não é suficiente discutir emprego sem discutir desenvolvimento econômico. Para gerar postos de trabalho de forma sustentável, Tarauacá precisa fortalecer sua economia, estimular empreendedores, apoiar pequenos e médios negócios, incentivar novas atividades produtivas, qualificar mão de obra e criar condições para atrair investimentos privados.
Uma conta que aumenta todos os anos
Se aproximadamente 270 jovens ficam fora de uma política de primeiro emprego a cada ano, esse contingente tende a se acumular.
Considerando também aqueles que concluíram os estudos nos anos anteriores e continuam procurando oportunidades, estimo que Tarauacá possa ter cerca de 4 mil pessoas nessa situação.
Esse número é uma estimativa e precisa ser confrontado com dados oficiais e levantamentos específicos sobre emprego e desemprego no município. Ainda assim, independentemente do número exato, o problema existe e precisa ser enfrentado.
É por isso que defendo uma proposta mais ampla:
EMPREGO PARA TODOS, SEM FILTRO E SEM DISCRIMINAÇÃO.
A expressão "para todos" não significa prometer que o poder público poderá simplesmente empregar cada pessoa. Isso seria economicamente inviável. Significa defender políticas que ampliem as oportunidades e permitam que qualquer cidadão qualificado possa disputar uma vaga sem favorecimentos, discriminação ou critérios políticos.
O emprego precisa ser tratado como instrumento de desenvolvimento, autonomia econômica e inclusão social.
É preciso transformar o debate em proposta
Não estou defendendo que alguém ofereça alguma coisa gratuitamente. O que proponho é a construção de condições para colocar em prática um projeto capaz de ampliar efetivamente as oportunidades de emprego.
Para isso, pretendo procurar representantes políticos e apresentar formalmente nossas propostas e reivindicações. Cada autoridade terá o direito de analisar, questionar, sugerir alterações e se posicionar sobre aquilo que estiver sendo apresentado.
Depois, essas propostas e as respectivas respostas — sejam positivas ou negativas — poderão ser divulgadas publicamente por meio de artigos, redes sociais, debates e palestras nas escolas.
A juventude precisa conhecer não apenas os discursos dos candidatos e representantes públicos, mas também saber como cada um se posiciona diante de questões concretas que interferem diretamente em seu futuro.
O voto também pode cobrar desenvolvimento
Todos os anos surgem novos eleitores. São jovens que estudam, trabalham, procuram emprego, ajudam suas famílias e desejam construir suas vidas em Tarauacá.
Essa juventude precisa compreender a força democrática do voto.
O voto não deve servir apenas para escolher nomes. Também deve servir para cobrar propostas, compromissos, políticas públicas e resultados.
Por isso, o debate que proponho não é contra quem já conseguiu uma oportunidade. É em favor daqueles que ainda estão esperando por ela.
Precisamos transformar a preocupação com os 90% que ficam de fora em discussão pública, planejamento econômico e políticas capazes de estimular efetivamente a geração de emprego e renda.
Tarauacá precisa criar condições para que seus jovens possam estudar, se qualificar, trabalhar, empreender e construir seu futuro aqui, caso essa seja sua escolha.
A pergunta que deve ser apresentada aos nossos representantes e à sociedade é simples:
Que projeto de desenvolvimento econômico queremos construir para garantir oportunidades à juventude de Tarauacá?
É esse debate que precisamos fazer.
EMPREGO PARA TODOS, SEM FILTRO E SEM DISCRIMINAÇÃO.
