Neste domingo, 16 de agosto, vivi uma experiência que certamente vai ficar marcada na minha história. Aos 60 anos, com alguns quilos a mais e depois de muito tempo longe da prática esportiva regular, participei da minha primeira corrida de rua. E não teve muita conversa para começar devagar: foram logo 7 quilômetros, na corrida promovida pelas Lojas Marvan, em Tarauacá.
Mais de 200 pessoas participaram da prova, entre homens e mulheres de Tarauacá e corredores de outros municípios. Gente experiente, atletas buscando melhorar seus tempos e pessoas que, assim como eu, estavam ali para vencer seus próprios desafios.
Durante muitos anos, minha relação com o esporte foi através do futebol. Sempre gostei de jogar, mas a idade chegou acompanhada de algumas lesões e entendi que era o momento de parar. O esporte, porém, continuou fazendo parte da nossa família.
Minha esposa, Janaina Furtado, começou a correr. Sempre incentivei e, nas provas, normalmente desempenhava outra função: era seu assistente. Acompanhava, ajudava e incentivava. Depois, nossa filha Janaina Acioly, a Janinha, também entrou nessa história.
Até que veio a pergunta inevitável: por que eu também não poderia correr?
A decisão foi tomada. Começamos a treinar juntos e estabelecemos nosso primeiro objetivo: completar os 7 quilômetros.
E completamos.
Não estávamos disputando o pódio que valia prêmio. Nossa disputa era diferente. Era contra o cansaço, contra os limites físicos, contra aquela vontade que aparece durante o percurso dizendo que já está bom e que talvez seja melhor parar.
O pódio que buscávamos era o pódio da nossa família.
E nele chegamos juntos.
Minha esposa, que já treina há mais tempo e poderia buscar um tempo melhor na prova, abriu mão de tentar superar sua própria marca para permanecer ao meu lado durante a corrida. Esse gesto tornou os sete quilômetros ainda mais especiais.
Para quem corre há muito tempo, completar uma prova de 7 km talvez pareça algo simples. Para nós, representou muito.
Foi nossa primeira corrida juntos: eu, Jana e nossa filha Janinha.
Não vencemos outros corredores. Vencemos o desafio que havíamos estabelecido para nós mesmos.
E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas da corrida de rua: cada pessoa que está naquele percurso pode estar disputando uma prova completamente diferente. Uns buscam o primeiro lugar. Outros querem melhorar alguns segundos. Alguns querem emagrecer, recuperar o condicionamento ou simplesmente conseguir chegar até o final.
Eu queria completar meus primeiros sete quilômetros aos 60 anos.
Consegui.
Uma companhia muito especial durante os 7 quilômetros
Mas havia algo ainda mais profundo nessa corrida.
Na minha camiseta, levei comigo a imagem do meu saudoso filho Giovanni Acioly.
Foi a maneira que encontrei de tê-lo simbolicamente comigo durante aqueles sete quilômetros e também de deixar uma mensagem:
Filho, onde quer que você esteja, saiba que o papai continua aqui, tocando a vida, seguindo em frente e cuidando da Janinha, da Alzira e da nossa família como um todo.
A vida segue exigindo força. Algumas ausências permanecem conosco para sempre. Mas também permanecem o amor, as lembranças e a responsabilidade de continuar cuidando daqueles que estão ao nosso lado.
Por isso, cruzar aquela chegada teve um significado que nenhuma colocação poderia traduzir.
O primeiro passo foi dado
Terminei cansado? Claro.
Sete quilômetros não desapareceram do percurso só porque era minha estreia.
Mas terminei feliz.
O primeiro passo foi dado — literalmente, aliás, foram muitos milhares deles.
Agora é continuar treinando, respeitando o corpo, melhorando aos poucos e esperando a próxima corrida.
E fica também um convite para quem está parado: vamos correr, pessoal!
Não é necessário começar fazendo sete quilômetros. Cada pessoa precisa respeitar sua condição física e, especialmente quando está há muito tempo sedentária ou possui alguma limitação, buscar orientação adequada antes de aumentar a intensidade dos exercícios.
Mas caminhar e correr têm uma enorme vantagem: podem ser praticados ao ar livre, no seu próprio ritmo e praticamente sem custo. A atividade física regular contribui para o condicionamento, a saúde física e mental, a autoestima e ainda proporciona convivência com muitas pessoas que estão buscando objetivos semelhantes.
Neste domingo, olhando aquela multidão com mais de 200 corredores pelas ruas de Tarauacá, ficou ainda mais evidente como esse movimento tem crescido.
Que cresça ainda mais.
Quanto a mim, aos 60 anos, posso dizer:
primeira corrida de rua: 7 quilômetros completados.
Eu, Jana e Janinha chegamos juntos.
Giovanni estava estampado no peito.
E o pódio que realmente importava nós conquistamos: o pódio da nossa família.
Agora, é continuar.
Até a próxima corrida!
Raimundo Accioly é professor e comunicador em Tarauacá, Acre.
