O Acre já começa a sentir os reflexos da estiagem que avança sobre a Amazônia e especialistas alertam para a possibilidade de um período de seca severa nos próximos meses, cenário que pode ser agravado pela influência do fenômeno El Niño e pelas mudanças climáticas. Diante desse quadro, a Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no Acre (SFPA/AC) encaminhou um ofício à governadora Mailza Assis solicitando a decretação de estado de calamidade hídrica.
O documento, assinado pelo superintendente Erivan da Silva Ximenes, destaca que a redução histórica dos níveis dos rios e a diminuição da disponibilidade de água em açudes e viveiros já vêm provocando impactos significativos na pesca artesanal e na aquicultura em todo o estado.
Segundo a Superintendência, a situação compromete diretamente a produção de pescado e coloca em risco a subsistência de mais de 21 mil pescadores artesanais cadastrados no Acre, além de afetar centenas de produtores aquícolas que dependem da atividade para geração de renda.
Os reflexos da estiagem também alcançam comunidades ribeirinhas, indígenas e produtores rurais, que enfrentam dificuldades tanto para a produção quanto para o abastecimento de água, aumentando a preocupação com a segurança alimentar de milhares de famílias.
Medidas emergenciais
No ofício encaminhado ao Governo do Estado, a SFPA/AC solicita uma série de ações para minimizar os impactos da seca, entre elas:
decretação de estado de calamidade hídrica;
liberação de recursos emergenciais;
criação de linhas especiais de crédito para pescadores e aquicultores;
aquisição de pescado para abastecer programas sociais;
reforço da assistência técnica aos produtores;
criação de um grupo de trabalho para monitorar permanentemente a evolução da estiagem.
De acordo com a Superintendência, a decretação de calamidade permitirá maior agilidade administrativa e financeira para que os órgãos públicos possam executar ações emergenciais e reduzir os prejuízos causados ao setor pesqueiro e aquícola.
Alerta para toda a Amazônia
Nos últimos anos, a Amazônia tem registrado secas cada vez mais intensas, com rios atingindo níveis historicamente baixos. Além dos impactos ambientais, a redução dos volumes de água interfere no transporte fluvial, no abastecimento das cidades, na produção rural, na pesca e no equilíbrio dos ecossistemas.
No Acre, o cenário já mobiliza diferentes órgãos públicos, que acompanham a evolução da estiagem e avaliam medidas preventivas para reduzir os efeitos sobre a população e os setores produtivos.
A Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura informou que permanece à disposição do Governo do Estado para prestar apoio técnico e colaborar na implementação das medidas necessárias para enfrentar os impactos da seca, caso o pedido de calamidade hídrica seja acolhido.
Tags:
calamidade hídrica

