Por Raimundo Accioly – Blog do Accioly
Com a chegada do período de maior circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) na Região Norte, especialistas em saúde reforçam a importância da prevenção e da atenção aos sintomas da doença, especialmente entre bebês, crianças pequenas, idosos e pessoas com condições de saúde que comprometem o sistema imunológico.
O VSR é um dos principais causadores de infecções respiratórias em todo o mundo e representa uma das maiores preocupações para a saúde infantil. Segundo o Ministério da Saúde, o vírus é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e por aproximadamente 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos.
Na Região Norte, onde está localizado o Acre, a sazonalidade do vírus ocorre principalmente entre os meses de fevereiro e junho, período em que há aumento significativo dos atendimentos e internações por problemas respiratórios.
Bebês prematuros estão entre os mais vulneráveis
Embora o vírus possa infectar pessoas de todas as idades, os casos mais graves costumam ocorrer entre recém-nascidos prematuros, bebês nos primeiros meses de vida e crianças que apresentam doenças cardíacas, pulmonares ou outras comorbidades.
Em muitos casos, os sintomas se assemelham aos de um resfriado comum, incluindo coriza, tosse e febre. No entanto, em crianças pequenas, a infecção pode evoluir rapidamente para quadros mais graves, como bronquiolite, pneumonia e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), exigindo hospitalização e até internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
SUS amplia estratégias de proteção
Para reduzir os impactos da doença, o Sistema Único de Saúde (SUS) vem fortalecendo estratégias de prevenção contra o VSR.
Uma das medidas é a vacinação de gestantes, que permite a transferência de anticorpos da mãe para o bebê ainda durante a gravidez, garantindo proteção nos primeiros meses de vida.
Outra importante ferramenta é o uso do nirsevimabe, um anticorpo monoclonal indicado para proteger diretamente bebês prematuros e crianças pequenas que apresentam maior risco de desenvolver formas graves da infecção.
Especialistas destacam que a combinação dessas estratégias pode contribuir significativamente para a redução das internações, complicações respiratórias e mortes associadas ao vírus.
Impacto na saúde pública
Além dos riscos à saúde, o VSR também gera elevado impacto econômico para o sistema de saúde.
Levantamento da ONG Prematuridade.com, com base em dados da Planisa, estima que as internações de recém-nascidos prematuros em UTIs neonatais tenham custado aproximadamente R$ 13,5 bilhões.
O dado evidencia a importância de investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e acesso às medidas de proteção disponíveis.
Cuidados continuam sendo fundamentais
Especialistas orientam pais e responsáveis a manterem medidas simples, mas eficazes, para reduzir o risco de transmissão do vírus, como a higienização frequente das mãos, evitar contato de bebês com pessoas gripadas, manter ambientes ventilados e buscar atendimento médico diante de sinais de dificuldade respiratória.
A conscientização sobre o VSR e a ampliação do acesso às estratégias preventivas representam importantes avanços para a proteção da infância, especialmente dos bebês mais vulneráveis, que enfrentam maior risco de complicações decorrentes das infecções respiratórias.

