Carlos Tadeu destaca avanços no Hospital Sansão Gomes e defende saúde mais humanizada em entrevista ao Podcast Encontro Marcado


O gerente do Hospital Sansão Gomes, Carlos Tadeu, foi o entrevistado desta terça-feira, 17 de março, no Podcast Encontro Marcado, em uma conversa marcada por emoção, memória, trajetória de vida e, principalmente, esclarecimentos importantes sobre o funcionamento da saúde pública em Tarauacá.

Durante o bate-papo conduzido por Raimundo Accioly, Carlos falou sobre sua origem humilde, sua caminhada profissional, a experiência na política, sua relação com o esporte e os desafios de comandar uma das unidades de saúde mais importantes do interior do Acre.

Das origens no seringal à gestão do hospital

Logo no início da entrevista, Carlos Tadeu relembrou sua infância e contou que é filho de Tarauacá, nascido no município, mas criado por um período no seringal, onde seu pai trabalhava como seringueiro. Segundo ele, a vida foi marcada desde cedo pelo trabalho duro, pela luta da família e pela necessidade de ajudar em casa ainda muito jovem.

Ao recordar sua juventude, Carlos falou sobre os diversos trabalhos que exerceu, como vendedor de jornal, engraxate, estivador e, mais tarde, funcionário das empresas de Raimundo Damasceno, onde começou em funções simples até chegar ao posto de gerente geral. Ele destacou a gratidão pelas oportunidades que recebeu ao longo da vida e ressaltou que essa experiência foi fundamental para sua formação como gestor.

Formação e experiência de vida

Outro ponto importante da entrevista foi quando Carlos falou sobre sua vida escolar e sua formação. Ele revelou que só conseguiu concluir o ensino superior mais tarde, já adulto, formando-se em gestão hospitalar, área em que hoje atua diretamente.

A fala chamou atenção por mostrar uma trajetória de superação de quem precisou trabalhar cedo, formar família ainda jovem e, mesmo diante das dificuldades, não desistiu do sonho de se qualificar profissionalmente.

Política, saúde pública e compromisso com as pessoas

Ao falar de política, Carlos Tadeu contou que não entrou cedo nesse universo e que, inicialmente, nem gostava da atividade. No entanto, acabou sendo levado para a vida pública, assumindo a Secretaria Municipal de Saúde no período da gestão do prefeito Rodrigo Damasceno, entre 2013 e 2017.

Na entrevista, ele afirmou que aquele período foi marcado por importantes avanços para a saúde de Tarauacá, destacando a construção e estruturação de unidades básicas de saúde, ampliação de equipes e fortalecimento das ações na zona rural. Segundo Carlos, uma das iniciativas que nasceram naquele período foi justamente o programa Saúde na Comunidade, que hoje segue beneficiando moradores das áreas mais distantes.

Ele também relembrou sua passagem pela Câmara de Vereadores, ressaltando que, mesmo em um mandato com muitas limitações estruturais, houve contribuições importantes para o município, inclusive na implantação de câmeras de segurança em Tarauacá, por meio de articulação com o Ministério Público.


Visão política sem extremismo

Em um dos trechos mais reflexivos da entrevista, Carlos falou sobre o cenário político atual, marcado pela polarização entre direita e esquerda. Sem fugir do tema, afirmou que mantém sua linha de pensamento voltada para o cuidado com as pessoas mais humildes e disse acreditar em uma política que tenha como prioridade quem mais precisa.

Ao mesmo tempo, defendeu equilíbrio, responsabilidade e diálogo, afirmando que o extremismo não ajuda a população e que o gestor público precisa olhar para todos, sem distinção partidária.

O desafio de assumir o Hospital Sansão Gomes

Um dos momentos centrais da entrevista foi quando Carlos Tadeu falou sobre a missão de assumir a gerência do Hospital Sansão Gomes em um momento delicado, marcado por críticas, denúncias, vídeos, reclamações e forte desgaste da imagem da unidade.


Ele reconheceu que encontrou um cenário difícil, inclusive com a unidade passando meses sem gerência fixa, além de problemas no atendimento, falhas internas e insatisfação da população. Segundo Carlos, a estratégia foi agir com calma, conhecer o sistema por dentro, identificar onde estavam os gargalos e trabalhar para reorganizar a casa sem aumentar ainda mais a confusão.

Mudanças já percebidas pela população

Carlos afirmou que o hospital já apresenta avanços importantes, especialmente no atendimento da porta de entrada e no ambulatório. Um dos destaques foi a ampliação do número de médicos em plantão, permitindo melhor divisão das tarefas entre os profissionais.

De acordo com ele, hoje o hospital já conta com três médicos atuando, o que evita que o profissional que está atendendo na urgência e emergência precise se ausentar para resolver demandas de pacientes internados ou processos de transferência. Essa reorganização, segundo o gestor, contribuiu para reduzir filas, diminuir o tempo de espera e melhorar o fluxo de atendimento.

Ele também ressaltou que ainda há muitos desafios, mas garantiu que a unidade está avançando e saindo, aos poucos, daquela imagem negativa que se consolidou no passado.

Humanização no atendimento é prioridade

Um dos pontos mais fortes da fala de Carlos Tadeu foi a defesa de um atendimento mais humano no Hospital Sansão Gomes. Ele disse que, além da estrutura e dos equipamentos, é preciso investir na qualificação dos servidores para melhorar o acolhimento das pessoas.

Na avaliação dele, um simples “bom dia”, uma palavra de atenção, um gesto de cuidado ou até a oferta de um copo d’água podem ajudar a desarmar a tensão de quem chega ao hospital muitas vezes já fragilizado, doente ou angustiado.

Carlos afirmou que acompanha de perto o funcionamento da unidade, observando o atendimento inclusive pelas câmeras internas, e que sai diversas vezes da sala para verificar pessoalmente como estão os setores mais sensíveis.

Esclarecimentos sobre SAMU, regulação e o papel do hospital

A entrevista também teve um forte caráter informativo. Carlos aproveitou a oportunidade para explicar à população que o SAMU não é subordinado diretamente à gerência do hospital, mas funciona por meio de um sistema próprio de regulação. Com isso, ele esclareceu que nem sempre o hospital pode determinar o envio imediato de ambulância, pois isso depende da central responsável.

Outro ponto pedagógico da conversa foi a explicação sobre as competências da saúde municipal e da saúde estadual. Segundo ele, casos de rotina, consultas simples, exames e encaminhamentos devem começar pelas unidades básicas de saúde, administradas pelo município. Já o hospital estadual atua principalmente na média e alta complexidade, urgência e emergência.

Carlos também reforçou que a população precisa compreender melhor esse fluxo para evitar sobrecarga na unidade hospitalar.

Novos equipamentos e melhoria nos serviços

Entre os avanços já implantados em sua gestão, Carlos citou a montagem de um laboratório moderno, que ampliou a capacidade de exames e ajudou a reduzir filas, além da instalação de ultrassom na maternidade, permitindo melhor assistência às gestantes e também aos pacientes internados que necessitem do exame.

Ele ainda destacou o avanço no setor cirúrgico, informando que o hospital realizou recentemente 40 cirurgias e que a meta é ampliar ainda mais esse número nos próximos meses.

Uma equipe que faz a diferença

Ao final, Carlos fez questão de destacar que ninguém gere um hospital sozinho. Ele mencionou a importância de toda a equipe, desde os profissionais da limpeza, segurança e cozinha até enfermeiros, médicos, gerentes de setor e coordenação da maternidade.

Entre os nomes citados por ele durante a entrevista estão profissionais da enfermagem, da administração, da assistência, da chefia médica e da maternidade, todos apontados como parte essencial do funcionamento diário da unidade.

Mensagem final à população

Na parte final da entrevista, Carlos Tadeu deixou uma mensagem direta à população de Tarauacá. Disse que a gestão do Hospital Sansão Gomes está aberta ao diálogo, pediu confiança no trabalho que vem sendo desenvolvido e anunciou até mesmo a instalação de uma caixinha de sugestões, para que os usuários possam ajudar a apontar problemas e contribuir com melhorias.

Em uma fala emocionada, ele afirmou que seu maior sonho não é riqueza, mas ver Tarauacá melhor, especialmente para as pessoas mais humildes, que são as que mais precisam do serviço público.

A entrevista terminou com um tom de esperança, diálogo e compromisso com uma saúde mais eficiente, acolhedora e respeitosa para a população.

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