ARTIGO – TARAUACÁ PEDE SOCORRO: ENTRE A LAMA E A ESPERANÇA


Por Raimundo Accioly – Professor e Comunicador

Tarauacá vive hoje uma das suas maiores contradições urbanas: uma cidade de povo trabalhador, resiliente e cheio de esperança, mas que diariamente enfrenta dificuldades básicas de mobilidade por conta da precariedade de suas ruas. Basta uma chuva mais intensa para que vias importantes se transformem em verdadeiros atoleiros, dificultando o ir e vir da população e comprometendo a qualidade de vida de todos.

Não é exagero afirmar que, se fizermos uma pesquisa rápida nas ruas, o principal problema apontado pelos moradores será justamente a situação da infraestrutura urbana. Buracos, lama, ausência de drenagem e vias praticamente intrafegáveis após cada chuva são hoje parte da rotina de muitos bairros.

É preciso, no entanto, fazer uma análise responsável e contextualizada. O prefeito Rodrigo Damasceno iniciou sua gestão em 2025 trabalhando com o orçamento herdado da administração anterior. Foi um ano dedicado, sobretudo, à organização interna da prefeitura, montagem de equipes e articulação política — tarefa nada simples, considerando a ampla aliança de partidos e forças que compõem sua base.

Além disso, 2025 foi marcado por uma forte agenda institucional. O prefeito buscou apoio junto ao Governo do Estado e esteve em Brasília, onde dialogou com ministérios e com a bancada federal do Acre em busca de recursos para investimentos estruturantes. Esse movimento, embora pouco visível no imediato, é essencial para garantir obras de maior impacto.

Mas a realidade local impõe desafios históricos. Tarauacá é um município que sofre com dois fenômenos simultâneos: de um lado, as enchentes anuais do Rio Tarauacá; de outro, o inverno amazônico rigoroso, com chuvas constantes. Sem um sistema eficiente de drenagem, a água se acumula e destrói rapidamente qualquer tipo de pavimentação — seja asfalto ou tijolo. Aqui, infelizmente, não é raro ver ruas que não resistem sequer ao tempo de um mandato.

A gestão anterior, da ex-prefeita Maria Lucinéia, avançou em ações de drenagem em alguns bairros, o que merece reconhecimento. Já a atual administração também tem atuado nesse sentido. Equipes da Secretaria de Obras entraram em áreas críticas tentando amenizar os impactos das enxurradas, e em alguns locais houve melhoria na drenagem. Ainda assim, o problema persiste e continua sendo sentido pela população.

Em conversa com o secretário de Obras, Assis Sousa, a situação foi descrita com franqueza: são cerca de quarenta pontos críticos espalhados pela cidade. E mais: as condições climáticas têm dificultado o trabalho. Na última semana, por exemplo, a equipe conseguiu atuar apenas um dia e meio por conta das chuvas.

Segundo ele, não adianta realizar intervenções paliativas.

“Não vamos jogar barro nas ruas, porque quando chover a situação piora. Estamos preparando uma grande operação para o verão”, afirmou.

Esse posicionamento revela um ponto importante: a necessidade de planejamento técnico para evitar retrabalho e desperdício de recursos públicos.

Por outro lado, também há sinais de avanço. A gestão municipal conseguiu reativar a cerâmica municipal, fundamental para a produção de tijolos, e, através do mandato do senador Sérgio Petecão, garantiu uma usina de asfalto — um investimento que pode representar um divisor de águas na infraestrutura urbana do município.

O próprio prefeito Rodrigo Damasceno reconhece o problema e afirma que 2026 será um ano decisivo:

“Vamos trabalhar intensamente para dar respostas a essa situação desagradável para todos.”

A população, por sua vez, segue aguardando — e com razão. As reclamações são justas. O povo não quer promessas, quer soluções. Quer poder sair de casa sem enfrentar lama, quer ver suas ruas trafegáveis, quer dignidade.

Tarauacá precisa de um projeto sério, contínuo e estruturado de infraestrutura urbana. Não se trata apenas de tapar buracos, mas de repensar drenagem, pavimentação e planejamento urbano como um todo.

Entre a lama de hoje e a esperança de dias melhores, existe um caminho: trabalho, planejamento e compromisso com a população.

E é isso que todos nós esperamos.

Raimundo Accioly
Professor e Comunicador

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