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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Crescem suspeitas de que Veja mentiu sobre grampo no STF


Quatro meses e mais de uma centena de depoimentos depois, o inquérito da PF que apura o grampo ilegal de conversas do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, chega ao fim do ano sem provas de autoria nem vestígios do áudio cuja transcrição divulgada pela revista ''Veja'' resultou no afastamento do diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda.

O inquérito está nas mãos da Justiça, que analisa o pedido de prorrogação feito pelos delegados Rômulo Berredo e William Morad. A tendência é que a investigação ganhe sobrevida de 30 dias, mas, ainda assim, na PF poucos acreditam que ela chegue aos culpados.

A dificuldade de se comprovar a existência do áudio coloca em dúvida a veracidade da informação divulgada pela revista Veja. A revista, escorada na desculpa do ''sugilo da fonte'', recusa-se a dizer onde e através de quem conseguiu a suposta gravação. Também nega-se a fornecer o original que recebeu.

Diante de tanta relutância, não será surpresa se a investigação da PF concluir que a revista forjou a matéria e mentiu com objetivos inconfessáveis. Não seria a primeira vez que a revista da família Civita seria flagrada mentindo aos seus leitores. Reportagens como a dos dólares cubanos engarrafados e a suposta ajuda do PT às Farc são apenas dois dos casos conhecidos em que a revista usou informações sabidamente falsas para tentar criar fatos políticos.

No caso do suposto grampo no STF, não faltam motivos para a Veja fabricar a matéria. Basta lembrar que foi o ministro Gilmar Mendes quem concedeu, por duas vezes e em prazo recorde, habeas corpus que mantiveram o banqueiro Daniel Dantas longe das grades. O mesmo Daniel Dantas é acusado de subornar jornalistas da grande imprensa para que atuassem a seu favor. Um dos colaboradores da revista Veja, Diogo Mainardi, é apontado como um dos porta-vozes dos interesses de Daniel Dantas na mídia.

Protógenes: ''cadê o áudio?''

No início desta semana, durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz disse acreditar que não houve grampo realizado contra o presidente do STF durante a Operação Satiagraha e qualificou de ''banqueiro bandido e condenado'' Daniel Dantas, o principal investigado na ação.

O delegado rejeitou qualquer grampo ilegal de uma conversa entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). ''Levaram o nome de duas importantes pessoas da República fabricando um escândalo'', disse. ''Eu acredito que não houve grampo. Não existe áudio. Logo que foi anunciado [o suposto grampo] eu mesmo perguntei ‘cadê o áudio?’. Eu quero o áudio.''

A questão da falta do áudio para provar o grampo aumenta a suspeita de que teria havido uma fraude na denúncia apresentada por Veja. Na época, a revista acusou a Abin de ter participação na suposta escuta clandestina, criando uma crise constitucional e, ao mesmo tempo, beneficiando Dantas, o banqueiro condenado por prática de suborno comprovada em um vídeo. A apresentadora do programa, Lilian Witte Fibe, saiu em defesa da revista Veja, que publicou a suposta escuta, alegando que não haveria necessidade de se ter o áudio para sustentar a publicação da denúncia.

O delegado queixou-se da mídia, que inverteu os papéis de investigado e investigador. ''A partir de vários outros momentos deixou-se de falar da conduta de um banqueiro, que na verdade é um criminoso. Eu estou na condição de investigado porque os veículos [de comunicação] informaram ao leitor uma afirmação mentirosa'', disse.

Segundo Protógenes, a PF deveria desconfiar da mídia, a quem acusou de atuar em favor de Dantas e predisse acusações de que ele seria responsável por grampos contra Mendes.

Abin

Na sexta-feira, o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) arquivou sindicância aberta para investigar a participação de agentes da Abin no episódio. O gabinete diz não ter achado provas contra os agentes. Mas nada disso, por ora, é capaz de garantir a recondução de Lacerda ao cargo e devolver a tranqüilidade à Abin.


Sobre os possíveis meios usados para realizar o grampo, na ausência de evidências de peso, a PF trabalha para descartar tecnicamente as hipóteses. O uso de maletas, possibilidade levantada pelo ministro Nelson Jobim (Defesa), já foi desconsiderado. Em janeiro, ficarão prontas as perícias em equipamentos da Vivo, da Brasil Telecom e na central telefônica do Senado. Sobre elas estão depositadas as poucas esperanças de produção de provas.

Da redação, com agências

Fonte: Vermelho.com

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